Voz: no engenho da realidade

Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Acabei de rever o filme Malévola. Algo que me fascina nele é o poder emanado de cada palavra proferida, que abençoa ou não. Felizmente, a lição de que o Amor é o grande poder que temos para transcendermos a dualidade, o julgamento e a resistência, é lindamente transmitida. Mas, fica também, a certeza de arcamos com as consequências do que irradiamos.

Mesmo quando a Malévola quis reverter o feitiço lançado, ficou atrelada ao que tinha dito, e a situação só se desembaraçou porque respeitou o que havia sido construído, dentro daquela realidade. O resultado das palavras atua em primeiro lugar sempre sobre quem as emitiu, somos a origem delas. E esta personagem sentiu no âmago toda a dor que causou (ainda que tenha sido em função de uma raiva justificável e descontrolada), ela arcou com cada consequência.

Vejo que nas nossas rotinas, raro ou nada prestamos atenção ao que irradiamos, sobretudo em nossas conversas:  naqueles diálogos intermináveis que travamos conosco, dentro de nossos casulos. Sejam naqueles colóquios com quem priva de nossa intimidade, ou mesmo nas situações coletivas/sociais. São muito nocivos quando apenas nos descrevem de modo a podar nossas possibilidades de crescimento e integração.

Tivéssemos todos uma percepção mais detalhada de outras dimensões no momento em que verbalizamos algo, poderíamos ver manifestados: desenhos, luzes, cores, sons, até fragâncias bem específicos que nos surpreenderiam. Alguns que encantam por serem diáfanos ou vibrantes, perfumados, plenos de harmonia; outros que nos causariam repúdio pela viscosidade, aparência e aroma.

Temos um potencial para fazermos das palavras fontes de correção, assim é no Alinhamento Energético (matriz biológica perfeita e memórias desta existência), assim é dentro do Espaço do Coração. Mas, borramos nossos sagrados centros de energia (chacras) com cada palavra que – só por Misericórdia…

A Lei da Descrição diz: “Tudo aquilo que é descrito limita e confina ou liberta e expande. A descrição não é regulada pela cocriação. Ela é individual e assim relativa, como tudo o mais que é individual. Esta Lei pode ser usada para benefício de todos os seres, quando tratada de forma a fazer crescer.”

Estava folheando um calendário espiritualista e li: “O ser humano assume o aspecto que seus pensamentos e palavras lhe atribuem. Use os mais sublimes adjetivos ao se referir a você.”*

Sei que é desafiador no momento da raiva, descrever alguém (até nós mesmos) com “sublimes adjetivos”. Se isto não for possível, realoque, redirecione seu impulso criativo (sim, as palavras plasmam e concretizam) para algo mais elevado e se discipline a aplicar o silêncio, até que seja capaz de lidar com a situação com mais serenidade.

Nossos Irmãos até pedem que deixemos de descrever em situações extremas (para evitarmos a atuação de uma Lei da Correspondência), em que nossa ação tende a ser mais pontuada pelo medo do que pelo Amor. Da centelha divina de nossos corações ecoa uma canção sagrada. E se estamos desconcertados ou desafinados para entoá-la é preferível o silêncio – nada omisso, mas extremamente responsável – em respeito à qualidade da sua criação.

Lembre-se de que sua voz (tanto a audível quanto a interna) é uma ferramenta crucial da engenharia e arquitetura da sua realidade. Sua Voz pode inclusive operar milagres, a começar amorosamente por si mesmo. Seja Luz!

 

* Calendário Seicho No Ie.
10 Comments
  1. Gostei muito do filme Malévola, também fiquei refletindo sobre várias questões que ele apresenta…Quanto a nossa voz, precisamos sim, as vezes silenciar, e as vezes ouvi-lá com atenção, para obter as melhores respostas…gratidão! “Lembre-se de que sua voz (tanto a audível quanto a interna) é uma ferramenta crucial da engenharia e arquitetura da sua realidade. Sua Voz pode inclusive operar milagres, a começar amorosamente por si mesmo. Seja Luz!”

    • Reply
      Claudia Sampaio 13/10/2014 at 3:13 PM

      É verdade, Zê, é um filme muito rico em questões a serem refletidas. Tenho aprendido mais sobre o valor da palavra e do silêncio com sua postura amorosa e consciente. Gratidão, Amada.

  2. Reply
    Walkiria Branco 13/10/2014 at 2:47 PM

    Da Centelha Divina de nossos corações ecoa uma canção Sagrada. E se estamos desconcertados ou desafinados para entoá-la, é preferível o silêncio. Algo tão certo e verdadeiro e dito assim de uma forma direta, mas com tanta poesia, sutileza, amorosidade e lindeza, como você mesma diz, só poderia mesmo vir de alguém como você, minha Fadinha linda da Luz !!! Texto perfeito, ilustração linda !!! Como fico feliz ao ver o crescimento de vocês !!! Cláudinha e Gisele !!! Vocês são as duas sementinhas estelares mais “arretadas” do Era de Cristal !!! Chegaram tímidas, acanhadas, de mansinho e hoje se transformaram em verdadeiros “astros de luz” que inspiram, esclarecem e auxiliam milhares de irmãozinhos em suas caminhadas !!! Só tenho mais uma coisa a dizer : “Benditas, Iluminadas e abençoadas, sejam para sempre, as suas missões” !!! Amo vocês !!! Bjs

    • Reply
      Claudia Sampaio 13/10/2014 at 3:11 PM

      Assim vou chorar, meu Anjo lindo… Quanta bondade no seu olhar… Gratidão e saudades imeeeeensas de você. Te amo!!! Beijos!!

  3. “…e se discipline a aplicar o silêncio.” frase perfeita, querida. Beijos às autoras do texto e da ilustração. Impecáveis! Mil beijos de luz para cada uma.

    • Que alegria e honra receber estes mil beijos de luz!!! <3 😀 Gratidão pelo carinho, Querida Iara.

  4. Obrigada por sua sempre belas palavras

  5. Reply
    Monica Moreira Pereira 16/10/2014 at 7:01 AM

    Sim, demorei muito a entender o quanto a minha impaciência com pequenos problemas me atrapalhava,me adoecia, este foi um processo dificil em meus dias e até hoje me policio , que bom Fadinha ,que você enxerga tudo isso tão cedo. Gratidão minha querida .

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