Você escolheu um lado? Pare!

Eu preciso falar sobre isso. Tentei, lutei contra, resisti, mas não deu; é mais forte do que eu. Preciso falar com você sobre política.

Primeiro preciso me explicar: esse não é um tema de nossos assuntos. Mas é um tema que está presente em nossas mentes, como brasileiros que somos e como desesperados que estamos. Precisamos de uma solução, concorda?

É aí que as coisas começam a complicar. 

Vou me abster de ser didática e pedagógica como costumo e migrarei diretamente ao ponto, sem rodeios.

SE VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO DO DESENVOLVIMENTO PESSOAL E DA ESPIRITUALIDADE PRECISA ENTENDER QUE NO CASO DO BRASIL, NESTE AGORA, NÃO HÁ LADO A ESCOLHER.

Minha constatação não vem do além. Ela surge daqui mesmo, da minha indispensável prática de estar comigo e de ascender aos níveis superiores de consciência para o encontro com minha essência, com minha maestria, com a Verdade. 

Se você fizer isso, honestamente, chegará à mesma conclusão. Não há lado a escolher.

Seu partido partiu-se; seu candidato está enrolado; seu representante não te representa. As ideias foram boas e agora não são mais e não servem. As propostas deveriam ser cumpridas e não foram. Os recursos se acabaram, mas a ganância continua. E por fim, mais importante do que tudo: você se enganou. Não foi enganado não, se enganou. Comece admitindo e o peso diminuirá; siga com esse pensamento de erro de julgamento – porque um julgamento foi feito quando votamos ou apoiamos candidatos, partidos e ideias, é óbvio! – e tudo ficará mais claro.

Agora junte isso ao momento de Transição. Falamos diversas vezes aqui e em encontros presenciais que as fronteiras acabariam, que a realidade ruiria. Esse é o ano de início da disruptura. Ela acontece independentemente de nossa vontade e é apressada por nossa energia focada.

De certa forma, bastante dual (como a realidade que nos cerca), a batalha que estamos vivenciando é do mal contra o mal. 

Preste atenção: não é o bem contra o mal, ou seja: não há um bastião da honestidade contra o corrupto. São corruptos contra corruptos. Interesseiros versus interesseiros, gananciosos x gananciosos. Oportunistas querendo o lugar de oportunistas. 

É isto que queremos defender? Se você tivesse antes, a consciência plena de que esta batalha é do mal contra o mal, escolheria um lado?

Pois é. Minha mão à palmatória, primeiro. Eu escolhi. Eu defendi A em função de B; eu avaliei errado algumas vezes, pelo menos, nos últimos 15 anos. 

Não mais.

Meu ponto de vista – o lugar de onde olho, no momento – é o de espectadora da batalha, com pipoca, suco e bandeirinha de “mais rápido!”.

O que desejo é que a batalha avance a um nível insustentavelmente insano e que chegue ao ponto dos envolvidos se consumarem e se consumirem. O que mais poderia acontecer a não ser isso? 

Caríssimo Ser de Luz: o mal não abre mão de dominar. Se os dois lados pensam do mesmo jeito, só há uma alternativa: irão se aniquilar!

Aí, e somente aí, algo de bom poderá surgir, como o sol depois de uma noite longa e fria.

Diante do campo quieto e fumegante é que, vagarosamente, descartaremos os destroços, curaremos os sobreviventes, construiremos um novo padrão, impossível de ser realizado fora da ordem destruição/construção. Nada que se faça neste agora permanecerá puro e límpido enquanto quem polui e suja estiver em pé.

Você – como eu – tem que ter paciência. Não iremos “vencer” por um motivo bem simples: não estaremos lutando. Também não iremos perder, porque de novo, não estaremos lutando

Descanse sua alma, sua mente, seu coração. Recolha sua energia e armazene-a para o tempo da construção. Vá plantando ideias novas e cultivando seu jardim de sonhos para um país digno, justo e pródigo, que seja diferente do que foi nos últimos 500 anos.

Essa hora chegará tão logo a massa crítica necessária perceber-se na “armadilha da escolha de lados”.

Assim que você conseguir sair, arraste seus iguais para fora da trincheira, provando-lhes o que você acabou de constatar. 

Sim, nada do que eu disse fará sentido se você não chegar por si à mesma conclusão.

Espero ter braços suficientemente fortes para tirar você da vala em que eu mesma estive até agora, se você quiser.

Tenho pipoca e suco suficientes para assistirmos juntos. Meu coração está aberto à plateia, como o seu também estará, esteja onde estiver, não importa o local. 

Venha logo.

Comments

  1. Rô Sánchez

    Alê querida! Só falou verdades! Também enganei-me por muitos anos e não tenho mais lado A ou B, mas fico indignada com posts sobre os políticos corruptos e compartilho no Face. Vou parar de fazer isto! Já nem suporto mais olhar na TV tanta sujeira! Vou comer da tua pipoca e beber do teu suco de luz! Gratidão, minha querida! Abração de luz!

  2. Ana Castilhos

    Alê, super concordo com essa percepção. Que bom vc ter colocado em palavras aquilo que de alguma maneira, eu não estava conseguindo expressar. Por sinal, muitíssimo bem!
    Luz pra todos nós.

  3. Mirtes Pegorer

    Já faz umas semanas que caí na real.Não há lado a escolher mesmo.Nesse tempo parei de apoiar,curtir,compartilhar,apenas assistir sem sentir dor.Mas o que vinha me incomodando é a quietude ainda maior que o normal do povo.Nada de protestos,nem de uns nem de outros!E isso sim estava me deixando assustada..a calmaria antes da tempestade..Então pode ser isso! A massa critica está chegando a conclusão que não tem mais lado a apoiar!E se assim for,maravilha!Ficaremos todos de espectadores desse filme de terror,até que se autodestruam..nem Hollywood pensou nessa opção!Gratidão pela clareza e ainda bem que parou de resistir!!rsrsr

  4. Amanda Mello

    Eu andava me sentindo estranha ao ver colegas meus criticando as pessoas que estão paradas sem tomar uma posição concreta. Quantas mensagens para ir levantar bandeiras nas ruas… E eu me sentindo mal por não ter a mínima vontade de lutar. Por não ter um lado. Este texto veio como um alento. Ufa!
    Além disto, quando li comecei a refletir que essa abordagem serve também para a vida íntima. Disruptura, o que não é para ficar em nossas vidas irá ruir doa a quem doer. Estou vivendo isso. Tentando sofrer menos… Me preparando para os momentos de construção. Para o novo chegar muitas coisas irão acabar. Às vezes é preciso que algo piore muito para que então possa ser melhor. Gratidão por tudo Alê!