Vejo ou sinto?

Texto: Iara Bichara | Imagem: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Há muito tempo que eu não ia ao centro da cidade de São Paulo. Hoje, aproveitando a necessidade de renovar alguns documentos, me permiti perambular pelas ruas do centro velho.

Amo muito esta cidade e, mesmo com todas as suas mazelas, ela ainda consegue me surpreender e fazer meu coração bater mais forte.

Passei por ruas que me trouxeram lembranças de momentos muito importantes da minha vida.

A criança que erguia a cabeça e arregalava os olhos para ver o topo de mais uma torre que se erguia, reviveu em mim.

Bebi como um licor, cada canto da praça imponente onde impera o prédio do meu primeiro emprego, que ainda majestosa, serve de porta e escudo ao outro lado da cidade.

Embora o tempo tenha passado e muitas modificações tenham se processado, havia no ar a mesma sonoridade dos passos apressados, o mesmo rumor que saia das lojas e ganhava as ruas, a mesma busca que acompanhava os olhares de outrora.

No momento em que me dei conta desse desajuste – ou permanência – do tempo, busquei resposta nas sacadas de ferro, nas fachadas trabalhadas, nos beirais recuperados, mas em vão.

Procurei exaustivamente por todas as transformações, fossem no trânsito – já que muitas ruas foram fechadas à passagem de veículos, fossem na mudança de ramo de lojas tradicionais, ou na construção de novas passagens e, até mesmo, na demolição de vários prédios, para dar lugar ao metrô. Qual o quê! Em tudo havia o mesmo cheiro da antiga cidade.

Voltei para casa me questionando sobre a causa de toda a indignação que esta cidade causa aos seus visitantes e as opiniões tão diversas que eles têm sobre ela.

Nem sempre vemos sua melhor parte, mas qual seria ela, se na sua grandiosidade, tudo é generoso e total?

Lembrei-me imediatamente da palestra do último encontro do Movimento Era de Cristal, sobre Abundância e Plenitude e constatei que a cidade de São Paulo personifica bem o “Tudo o que Há”.

E aí compreendi que sempre é mais fácil colocar o nosso foco de atenção nas manchetes e estas, nem sempre, retratam com exatidão a situação globalmente. Na maioria das vezes vemos apenas uma parte do todo e sobre ela fazemos o julgamento do conjunto.

A cidade que habita em mim não é aquela que meus olhos veem, mas a que meu coração guarda. É nele que ela se mostra plena!

E para ilustrar esse “Tudo o que há” em São Paulo, deixo com vocês, para reflexão e deleite, duas canções: Sampa – de Caetano Veloso e Amanhecendo – de Billy Blanco.

Seja luz!

13 Comments
  1. Maravilha, Iara….. viajei com vc, em suas reflexões e concordo com lançarmos o olhar do amor sempre! Lindo lindo!

    • Fátima, esse olhar com amor a que você se refere, é o olhar sem julgamento, usando o coração como filtro de luz. Beijos!

  2. Formidável esse relato Iara. Enquanto lia vinha à mente a ideia do “Tudo que Há” quando me deparei com a frase em que você também fez essa referência. É isso mesmo, cada um vive e vê uma fatia desse tudo que é São Paulo. Não tenho essa memória da cidade porque vivo aqui a pouco tempo, mas sou grata a Sampa pela acolhida. O lugar que habita em mim tem o cheiro e as cores do nordeste que também está contido em São Paulo. Cidade multidimensional.

    • Neuza, uma característica de S.Paulo é justamente esse “Tudo o que há”, para todos de todos os lugares. Minha familia, tanto materna, quanto paterna, veio de longe e daqui não mais saiu. Beijos

  3. Reply
    Claudia Dantas Fonseca 24/07/2014 at 12:39 PM

    As boas lembranças do centro de São Paulo, Casa Godinho, Casa Fretin, Restaurante do Jockey na Rua Boa Vista, os cantos gregorianos do Mosteiro de São Bento, o Municipal com suas apresentações Largo do Arouche, Praça da República, Biblioteca Municipal, e tantos outros lugares que permanecem acolhidos dentro dos nosso corações..

  4. Reply
    Erci Raposo Pimentel Galdino 24/07/2014 at 5:40 PM

    Lindo artigo, relembrei o Centro junto com você.Trabalhei nos anos 70 na Av Ipiranga com São Luis, sempre amei tudo aquilo e
    continuo amando. São Paulo é São Paulo!Amo essa cidade, seu povo e concordo com você no “Tudo que há”. Parabéns mais uma vez.

    • Erci, eu trabalhei no centro de S.P.até o ano de 1972. Depois disso, só volto para matar as saudades. Grata pelo comentário. Bjs

  5. Iara Querida, me senti criança de novo passeando no Centro Velho com meu pai, eufórica com as pombinhas… Seu texto lindo evocou gratidão por esta cidade, que acolheu meus pais (ambos de outros estados) eme levou para passear tb nas minhas lembranças. Beijos de luz!!!

    • Claudia querida, ainda passearemos muito nesta e nas outras nossas cidades cósmicas. Suas palavras são sempre recheadas de carinho. Beijos!

  6. Gisele, me impressiono com sua capacidade de captar a essência do texto (ao qual você não teve acesso)… e manifestá-la nas imagens lindas e totalmente sintonizadas… Gratidão, Querida…

  7. Reply
    Maria Aparecida Basso 26/07/2014 at 8:51 PM

    Parabéns Iara ,viajei com vc no tempo a 52 anos atrás quando vinha de Mato Grosso a São Paulo com minha avó materna,e quando aqui chegávamos na estação da luz eu ficava encantada com aquela imensidão ,até hoje quando vou ai tenho em minha memoria aquelas imagens as quais eu amava muito .Gratidão por essa viagem maravilhosa e pelo ensinamento bjs!!!

    • Querida Maria Aparecida, que a memoria dessas viagens alimente seu ser e possibilite outras viagens através do nosso infinito espaço de compreensão, estudo e crescimento. Beijos!

Leave a reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Unaversidade