Um projétil de Amor

Texto: Claudia Sampaio | Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

“Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.” – atribuída a São Francisco de Assis.

Manifesto tantas coisas na minha realidade que não gostaria de ver. Assisti a um vídeo, no qual um garotinho inconsolável perdeu seus entes queridos, numa guerra, que nunca entendi o motivo de existir. Como me doeu ouvir seu clamor, sua angústia.
Na hora, fiquei enfurecida com a insanidade e as atrocidades dela decorrentes. Foi um assomo de revolta que me desestabilizou. Talvez pela circunstância, percebi involuntariamente a semelhança entre duas palavras: projetor e projétil. No Codex, a Lei da Projeção diz:

“Toda e qualquer imagem interna sujeita à atenção com qualidade, se exteriorizará.” Concluem nossos nossos Irmãos Cósmicos: “Então, projetem imagens interessantes!”

Então, há um lugar dentro de mim, onde esta criança inocente tão igual aos meus filhos não sofra e seja feliz como lhe é de direito? Seria um devaneio? Percebi que meus questionamentos eram tantos quantos foram os anos desperdiçados no prolongar da ilusão de se aumentar diferenças e excluir semelhanças entre nós. Decidi me aquietar, num Exercício do Espaço do Coração:

Na intenção, me conectei com aquele Menino Símbolo e lhe disse com carinho: “estamos com você, Querido.” Queria que o sentimento (que é uma energia/informação) se traduzisse para ele logo – lá do outro lado do mundo, alguém o abraçasse, lhe levasse ao menos um copo d’água. Alguém cuidasse dele e da família, com ternura.

E me assustei comigo mesma. O que eu senti pelos algozes daquela família talvez fosse tão forte quanto a compaixão que senti pela criança. Era brutal. Horrível. Vi que sou também responsável. Quanto ´projétil de medo’ em sombra de ódio escapara de mim, naquele instante?

Se eu distante, fisicamente, pude gerar algo tão pernicioso, como deve vibrar uma região em que isto foi nutrido em séculos pelos que se olham com tanta repugnância.

“Amai os vossos inimigos.” – me pareceu distante e complexo de ser vivenciado. Mas, por mais que a minha mente não aceitasse esta mensagem, ela fazia todo o sentido dentro do coração.

Um dia, haverá tanta consciência de nossa unidade, que estas imagens distorcidas irão fenecer.

O medo, a fúria, a indiferença que cultivamos na mente não mais serão retroalimentadas, nem por mim, nem pelo outro. Não. E com mais percepção de que esta dualidade dolorosa não existe na Fonte – que nos reconhece como Deuses de nossa Realidade, permitiremos que o coração lance Amor e paz, sem distinções, sem condições.

Quando a situação encontrou misericórdia, perdão no meu peito, e consegui emanar brevemente um pouco de acolhimento para aquele que repudiei, projetei outra imagem interna – um ‘projétil de amor’. Mais integrada, me lembrei de uma frase recente que meu filho pequeno disse, com meiguice:

“Seus olhos são lindos como Deus”.

O olhar de cada um é também poderoso como a Fonte e pode “escolher imagens interessantes” – verdadeiras “como tudo que parte da Fonte” *** – lindas, no projetor do coração. Projéteis de amor lançados por um olhar cheio de LUZ. Imagens LUZ. – “… Onde houver trevas, que eu leve a luz. * ”.
Seja Luz.

*Oração de São Francisco de Assis: http://www.youtube.com/watch?v=3iUznYuuxlI

***Codex.

7 Comments
  1. Uma linda reflexão e um novo olhar sobre a situação que se apresenta e nos entristece…. mas que possamos emitir ao nosso melhor. A mais intensa Luz, para que a Paz se faça!

  2. Gisele…. sua ilustração nos mostra bem sobre esse novo olhar!! gratidão.

  3. Que demais, Clau…. “Onde houver guerra que eu leve o amor.” E sinto a importância frisar aqui as “guerras” internas e nas nossas relações. Criticamos e nos indignamos com a violência e, algumas vezes, uma palavra, uma indireta pode afetar aqueles com quem compartilhamos nosso dia a dia, nossos ideais. Que consigamos trazer para o nosso aprendizado o real sentido do “SER LUZ”, colocarmos em prática as premissas do CODEX, com discernimento e sem jukgamentos. Toda LUZ em cada agora.

  4. Simplesmente lindas suas experiências e reflexões… amei acompanhar cada sentimento e sensação… Obrigada pelo riquíssimo artigo!

  5. Claudia, querida, seu imenso coração materno abriga muita compaixão que transborda em seu texto. Sempre é doloroso o exercício da compreensão e do perdão, sem julgamentos. O amor é o único bálsamo que cicatriza os ferimentos! Gratidão pela linda reflexão!

  6. ❤ Agradeço o carinho imenso de vocês. Que a Luz se traduza nas mais lindas formas na vida de cada uma. ❤ Ainda me emociono quando vejo a ilustração da Gisele e como ela conseguiu captar apenas com o coração (já que não tem acesso ao texto) a essência da mensagem. Gratidão, Amada ❤

  7. Claudia..também senti essa dor e essa revolta quando vi aquele garotinho.E por isso, minha gratidão por fazer ver tudo pelo lado do amor,pelas palavras do querido São Francisco.Assim ,consigo “ver” agora essa e outras crianças indo para a escola por aquelas ruas… limpas e arborizadas,se sentindo seguras e amadas, pois não existem mais inimigos!

Leave a reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Unaversidade