Trabalho em Grupo

grupoO que acontece quando nos é dada uma importante missão para a qual estaremos interagindo com outras pessoas, vindas de locais diferentes, de hábitos e costumes diversos, com desenvolvimento cognitivo desconhecido? E se, além desses fatores, nós não estivermos habituados a dividir objetos, tarefas ou responsabilidades?

Certamente o processo será muito difícil, custoso e seu resultado duvidoso.

Entretanto, isto não seria um desafio para quem falasse vários idiomas, possuísse um nível cultural adequado, sensibilidade e paciência para distinguir os diferentes níveis de compreensão dos participantes e desprendimento suficiente para repartir o êxito ou a falha da missão.

Mas onde treinamos essas habilidades?

A vida moderna e seus apelos ao consumo, com a valorização do “ter”, em detrimento do “ser”, e todas as consequências econômicas e financeiras decorrentes dessa mudança de paradigma, provocou uma reprogramação familiar, que implicou na redução significativa do número de filhos.

A família sempre foi a “célula mater” da sociedade e todas as diretrizes de convivência com as demais individualizações, desde que temos conhecimento, partiram fundamentalmente de sua estrutura e de seu direcionamento.

Em um conjunto de pessoas com personalidades diferentes, o respeito e o exemplo impõem regras próprias que se estendem a toda comunidade envolvida.

Assim, antigamente, numa família numerosa, uma grande parte das possibilidades de estranhamentos futuros, já era resolvida e direcionada, dentro do próprio núcleo.  As vitórias, quando valorizadas, serviam de modelo, assim como as perdas eram retidas como lições para outras oportunidades. Também acontecia de comportamentos indesejáveis serem repetidos e solidificados, contaminando todo o ambiente doméstico e se estendendo para os outros ambientes.

Porém, a participação nas situações que ocorriam entre irmãos, primos, parentes próximos possibilitava àqueles que eram mais atentos e espertos, a experiência necessária para que se expusessem, ou não, aos mesmos riscos. E esse “treinamento” era muito importante para o bom desenvolvimento das relações fora do ambiente familiar.

À medida que se desenrolava o contato fora dessa organização – no convívio escolar, de trabalho, de novas amizades – os conhecimentos adquiridos eram colocados em prática, assim como novos aportes eram trazidos e compartilhados entre os membros do núcleo doméstico.

O modelo recente de relacionamento familiar é cada vez mais tênue, para não dizer fraco, pois em geral os pais delegam para a escola a finalidade de educar seus filhos, quando isto é uma obrigação da família – à escola cabe a parte da instrução.

Essa conjunção de pais despreparados – preocupados com ascensão profissional e financeira, com filhos únicos – que ficam na escola o dia todo e muitas vezes nem fazem as refeições com os pais, resulta numa falta de padrões de convivência, onde o único vínculo que as crianças estabelecem restringe-se ao campo da amizade e, quando mudam de escola, mudam de amigos, de referências, de limites, conforme novas orientações.

Todas as situações que ocorrem são vistas, pela criança, do plano do espectador e não do personagem daquela história. O envolvimento é muito superficial e, quase sempre, fica apenas no campo da emoção, o que explica a aversão que a maioria dos adolescentes e jovens tem por compromissos, uma vez que não foram preparados para isso, desde a mais tenra idade, dentro da própria casa.

Como interagir? Como se envolver? Como participar? Estas perguntas tomarão uma força desmedida, quando estes indivíduos forem solicitados a trabalhar em grupo e a dividir as responsabilidades. A falta de referência para medir até onde vai o seu limite e onde começa a área de atuação do outro, a ausência de motivação para empreender uma tarefa que não lhe trará reconhecimento pessoal e particular, a precariedade da noção de respeito quanto ao tempo que cada um necessita para processar uma informação e outros tantos e inumeráveis itens, prejudicarão todo e qualquer trabalho em grupo.

E por trabalho em grupo não se deve apenas tomar situações pontuais, como deveres ou projetos específicos, mas todo um envolvimento educacional, profissional, organizacional e político, cuja base tem seu fundamento nas noções adquiridas na infância, no convívio com a família.

As Leis do Codex, que regerão todo este novo ciclo do nosso planeta, nos dão a orientação segura para que nos aprofundemos no crescimento individual, mas reforçam a importância do grupo, do coletivo, da cocriação, como objetivo maior.

Seja Luz!

11 Comments
  1. Maravilhosa explanação sobre as familias , vou repassar ,pois temos mesmso que nos adequar e orientar nossos filhos sobre as mudanças. Gratidão .

    • Monica, devemos sim ficar sempre alertas e vigilantes, orientando os nossos filhos e, acima de tudo, dando a eles o nosso exemplo. Tenha certeza que aquilo que eles virem em casa é o que reproduzirão nas suas novas famílias. Muito gratidão e beijos de luz!

  2. Reply
    Cristina V Haas 01/04/2014 at 3:59 PM

    Gratidão. Sim, o des-Envolvimento nos colocou com maiores dificuldades de comunicação e envolvimento, compor e doar como tão claramente nos expões! Trilhamos todos o iniciar desta mudança cultural tendo o CODEX como nosso Farol. Amei seu Artigo iluminado Iara!

    • Cristina, adorei o des-Envolvimento. É bem isso o que se apresenta: dá trabalho opinar, orientar, cumprir, se responsabilizar. Gratidão pelas palavras. Beijos.

  3. Gratidão, Iara querida!
    Texto muito atual e preocupante. Diante do mundo em que vivemos, as pessoas preocupadas com o “TER”, esquecem que nada do que têm, nem o próprio corpo, levarão no momento da “Grande Viagem”!
    Só levaremos o que “SOMOS”!
    Abração de LUZ!

  4. Grato querida, sempre sabia Mãe que se mostra. 🙂 ♥
    Linda contextualização.

  5. Iara, maravilhoso texto!

    Acabei de tirar minha filha da escolinha porque a primeira idéia era que ficasse meio período para manter contato com outras crianças, e para que eu tivesse um tempo de mais qualidade para me dedicar ao meu trabalho.
    Mas, acabou que a vaga que saiu era para período integral.
    Uma das coisas que me preocupou é que ela iria passar o dia todo sem a família, sem os nossos costumes e ensinamentos, sem comer conosco (alimentação é algo importante na minha concepção).
    A tirei da escolinha e agora me sinto muito mais aliviada, e você conseguiu explicar o por quê!
    Todos me diziam que seria bom para ela, que ela ia “aprender a ter responsabilidades”, mas o padrão da escola tradicional é tão arcaico!
    Isso que você disse de “ausência de motivação para empreender uma tarefa que não lhe trará reconhecimento pessoal”, é muito forte na nossa sociedade consumista e muitas vezes sem o sentido de fazer o melhor para o coletivo.
    Eu vejo até em alguns desenhos desses canais pagos infantis essa falta de bom senso. A historinha é muito bonitinha, com personagens bonitinhos, mas que dizem que “morango é docinho e rosa”! Em que mundo?
    Ou no episódio em que a mãe pede para o pai instalar um quadro na parede, o pai se perde todo, destrói a casa e antes da mãe chegar, pede para os filhos não contarem a lambança para a mãe!
    Que exemplo é esse?

    Bom, seu texto, como sempre, está maravilhoso!
    E eu li como se estivesse ouvindo você ler! Que delícia!

    Um grande abraço!

    Jo

  6. Perfeito Iara, analisando o que de positivo havia no antigo ciclo e usando o Codex para uma nova linha de condução e de condição de construir um novo mundo com bases do que sempre ha de melhor no ser humano. Beijos e gratidão!

  7. Reply
    marilda benevides 02/04/2014 at 5:54 PM

    Adorei o texto Iara querida e vou levar para o meu trabalho amanhã mesmo…estamos vivendo alguns problemas por lá e acho que seu texto fará muito sentido neste momento! Gratidão, seja luz!

  8. Iara,
    Muito interessante seu texto, e verdadeiro.
    A humanidade hoje vive no ter e não no ser, e com isso os verdadeiros valores perderam-se no tempo.
    A televisão e o celular são uns dos causadores desta perda.
    Até dia 12
    Seja Luz

  9. Reply
    marcelle sampaio 09/04/2014 at 9:24 AM

    Iara minha querida, a clareza de seu texto abriu uma janela na minha percepção de mim mesma. Grata por mais essa! Beijo grande e abraço apertado.

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