Sono e sonho da paz

Texto: Claudia Sampaio Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Ilustração: Gisele Caldas

Você provavelmente já presenciou a cena. Em meio ao caos, há um bebê. E ele dorme. Placidamente. Ignorando toda a balbúrdia a sua volta. Nem parece fazer parte desta dimensão. Nem mesmo deste mundo. Até conferimos com ansiedade se está respirando direitinho.

A paz emanada do sono inocente de uma criança é a mesma que muitos de nós almejamos.

Parece que nascemos com um extrato megaconcentrado dela e aos poucos, ela vai se diluindo, na medida em que o medo (o oposto do Amor) vai crescendo, tanto que, lamentavelmente, não a encontramos dentro de nós ou em qualquer parte, por mais que seja buscada.

Então, alardeamos tê-la descoberto no isolamento, em meio aos bosques e colinas. Bonita, mas frágil. Faria bem se conseguíssemos sustentá-la longe do ambiente ideal. Mas, se precisamos fugir para o meio do nada qual é o grau de autenticidade e aplicabilidade dela? Os ambientes harmonizados, oásis da serenidade não necessitam da nossa presença para assim permanecerem.

Francamente, creio que esta paz do sono de um nenê é a mais verdadeira, pois não vacila com ruído vibracional algum. Louvo à Fonte, por aquele paramédico que numa situação limite consegue se manter  calmo e salvar a vida de alguém. Ou pelo sujeito que conseguiu refrear algum impulso brusco e impediu que o dia de outra individualização e o dele mesmo fossem piores.

Abençoada seja aquela senhora que no lugar de xingar o mendigo bêbado e infeliz que gritava na sua calçada, resolveu lhe levar uma sopa, ao menos ele não esbravejaria por estar faminto.

A lei do Codex que fala sobre ficar em paz, tem o nome de Lei da Pacificação.

“Render-se à verdade e negar a ilusão.” – “verdade é sempre o que parte da Fonte.”

É no mínimo curioso que não seja Lei da Paz. PacificAÇÃO. Pode ser um desafio experimentarmos o conceito de paz que tanto idealizamos. Porém, gestos pacíficos dependem somente da escolha de cada um, da própria atitude E VONTADE. Quando você, por maturidade, opta por esta via amorosa, evoca aquele centro seu que se torna cada vez mais acessível: de uma paz duradoura, imanente, profunda e ÚTIL!

Voltando a um nenê recém-nascido, profetizado como Príncipe da Paz, agora, adormecido numa manjedoura. Um Anjo se referindo a Ele orientou aos buscadores:

“Paz aos homens de BOA VONTADE*”!

Esta criança sonhou com a Paz. Teve fé na nossa boa vontade. Mostrou que é UM contigo e comigo – E ainda nos sussurra com doçura: Que a “Paz esteja conosco”. Seja Luz!

P.S.: há um estudo demonstrando que o som de chiado contínuo como aquele do sangue materno, escutado pelo bebê ainda no ventre, é capaz de acalmá-lo bastante, após o nascimento. Será coincidência que shalom, shanti, paz (com som de x carioca) tenham este fonema em comum? 🙂

13 Comments
  1. A lei da Pacificação requer um treino diário e uma escolha consciente da ação a ser realizada, bem como da responsabilidade que temos pelas mesmas….”Gestos pacíficos dependem somente da escolha de cada um, da própria atitude E VONTADE. ” A todo momento somos chamados a fazer a nossa escolha… Seja Luz!

  2. Reply
    Claudia Dantas Fonseca 09/06/2014 at 2:59 PM

    Quando nos mantemos conscientemente, conectados à Fonte, permanecemos com a alegria genuína sem julgamentos em prefeita Paz com a nossa porção.

    • Reply
      Claudia Sampaio 09/06/2014 at 5:00 PM

      Bem lembrado, Clau: – não julgar – uma das premissas do Codex, ou como diz a Lei da Unidade: “Sendo que tudo parte da mesma Fonte e tudo é Um, não há contra o que se lutar. Qualquer tipo de luta é sempre contra si mesmo, em qualquer nível e qualquer dimensão.”
      Grata, Querida <3

  3. Reply
    marilda benevides 09/06/2014 at 3:14 PM

    Muito equilíbrio, disciplina e EC para conseguirmos no dia a dia agirmos com paz, com BOA VONTADE! Assim seja!

    • Reply
      Claudia Sampaio 09/06/2014 at 5:03 PM

      Todas as ferramentas à nossa disposição, né Marilda, muito bem lembradas por você. Gratidão, que assim seja!

  4. Seus insights são sempre muito calmantes… 🙂 É paz pura! <3

    • Reply
      Claudia Sampaio 09/06/2014 at 5:03 PM

      <3 Gratidão, Ale Querida <3 Estava pensando no shhhhh – do shiu – interjeição de silêncio. Nem sempre colocamos o dedo sobre os lábios, mas todos entendem. É como relembrar o estado pré-natal, onde isto nos serenava. Se for universal é outro indício do estudo. 😀

  5. Lindo, Claudinha! O exemplo do bebê foi muito feliz. Ao olhá-lo sentimos a paz transbordando do seu sono. É a total ausência de medo, de antecipação, de resistência… Parabéns!

  6. Após um longo dia de trabalho(na verdade muitos dias,sem folga!)Ler seu artigo/reflexão é um alento para esse fim de noite…quando as pressões por prazos e soluções parecem tão difíceis de enfrentar, quando é grande a vontade de fugir para a beira do mar…parar e pensar na paz do sono de um bebe em meio ao caos,traz uma tranquilidade tão possível de conseguir!Amanhã é um novo dia!grata,Claudia,te admiro muito.

    • Mirtes, gratidão pelo carinho e por compartilhar sua impressão, querida. Tenha fé sim de que amanhã será um novo dia e agradeça ao HOJE, pois você se superou mais uma vez,. Um grande beijo. Seja Luz!

  7. Gisele, que ilustração linda!!! O golfinho representa justamente ao Caminho da Pureza, nas tradições ancestrais, assim como aquela irradiada por um nenê. Gratidão, Querida.

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