Somos ricos

fearEm nosso mais recente encontro de Estudos do Codex discutimos a Lei da Coragem.

16. A Lei da Coragem

A coragem é o enfrentamento ou a neutralização de qualquer situação, que o indivíduo entende como perigosa ou desgastante, ou em desacordo com seus propósitos interiores, antes que o medo se instale. Esta é uma Lei que requer ação permanente.

Não há como falar em coragem, sem citar o medo e a Lei é explícita quanto à necessidade de tratarmos, constantemente de afastá-lo, enfrentando ou neutralizando situações que não estão de acordo com os nossos propósitos.

Pense nas palavras, por um momento: 

Enfrentar. “EmFrentar”. Enfrentar é ir em frente!

Neutralizar. Neutro é o que não tem valor, sem peso, é o zero absoluto, ou um polo sem carga. Não há juízo envolvido, simplesmente, porque não há importância, nem numérica, nem moral, nem emocional, percebe?

É de se notar que a Lei também não fala de “pessoas” e sim, de situações. Não temos que nos ocupar enfrentando pessoas, ou neutralizando pessoas. São as situações que devem ficar para trás — porque as estamos enfrentando — e precisam ser consideradas como neutras, sem valor.

Parece fácil e é!

Salvo, por um detalhe… Podemos nos ajustar perfeitamente ao padrão da Lei da Coragem e seguir caminhando pela vida com um novo olhar, mas isso só será pleno, quando nos desfizermos de nossa inimaginavelmente grande poupança de medo.

Todos nós poupamos medo. Temos reservas de medo para mais do que uma existência e há até mesmo os que já nasceram com a herança do medo e a recebem no berço. Somos os fiéis guardiões de toda a sorte de temores hereditários, culturais, sociais e emocionais que se agregam à estrutura física e permanecem por mais tempo do que gostaríamos, assombrando nossos dias.

Um povo que viveu uma grande guerra transmite medo às novas gerações. Uma família que tem casos de doenças repetitivas entre seus membros monitora as crianças que chegam com convicção do distúrbio, que uma hora ou outra, poderá aparecer.

Somos levados a isso.

Nossa sociedade nos mostra o quanto é importante guardar dinheiro para tempos difíceis, pagar convênios caso adoeçamos, manter em ordem seguro de vida, porque sabe-se lá se um dia o sujeito morre! 

Estudamos anos em escolas com medo de não seguir com turma, com medo de falhar na prova, com medo de levar a nota baixa para casa, com medo de, depois de tanto esforço, não conseguirmos um bom emprego. E quando o conseguimos, temos muito medo de perdê-lo! Para não perdê-lo não podemos faltar, nem ficar doente e nem comer ovo, nem manteiga, nem veneno, nem gordura, nem trigo, nem glúten. Tudo, menos glúten. Vai que um dia meu coração para? Eu, hein?

E nossa gaveta de remédios? E se sentirmos dor e o remédio exato não estiver lá? Cada caixinha é um dividendo de medo com prazo de validade. Se eu não tomar o remédio, morro. 

E se a alça da bolsa não for forte o suficiente? E se o bolso furar e o celular cair e eu ficar impossibilitado de me comunicar com as 1657 pessoas da minha lista de contatos? E se eu perder a senha do banco? E seu esquecer a senha da rede social? E se acontecer alguma coisa no caminho? E se qualquer fato fugir ao controle? E se o ladrão estiver de mau humor e me matar? E se eu morrer? 

Temos tanto a perder, não é?

É?

Não. Eu afirmo que somos ricos. Somos ricos de medo e não nos contentando com os próprios, usurpamos nossos iguais querendo o medo deles. Temos medo por nós e temos medo pelos outros. Temos medo de que aqueles que amamos, sofram. Medo por eles e às vezes, o medo deles e também, medo deles e medo de nós. 

Bem, só nos resta ter medo de ter medo, e talvez isso resolva a questão.

Reduzindo todos os medos a um podemos lidar mais facilmente com a única coisa a perder e quem sabe, analisar friamente o quão patético e ridículo é gastar uma existência poupando medo, uma vez que não há garantia nenhuma que ele nos afaste de cada experiência pela qual precisamos passar. Nós o salvaguardamos, mas ele não responde na mesma medida; ao contrário, cresce e precisa se autopreservar e para isso, usa a artimanha que domina: nos retira do agora, lançando-nos no futuro que ainda não chegou, ou no passado que um dia cristalizou um momento difícil.

Porém, nenhum discurso é capaz de alterar sua posição caso não queira e decida, conscientemente, que se livrará de seu medo. É medo sim, no singular. O medo é um, aplicável às situações. Sempre o mesmo, o velho e bom companheiro das noites escuras e também dos dias de sol… Já ouviu falar em câncer de pele?

Largue disso e Seja Luz! 😀 

2 Comments
  1. Reply
    Neuza maria lima vieira 23/03/2016 at 7:25 PM

    Trabalho para km de distancia se formos pensar em ficar livres do medo. Porém nessa simplicidade do final do texto, nos encontramos em outro patamar…num Salto quãntico…Largue disso…que benção essa fala tão expontãnea. Larguemos disso…sejamos LUZ…AMOR…CLAREZA ORDEM!!!

  2. Reply
    janice valeria Pedro 23/03/2016 at 9:23 PM

    …pois é. Ainda hoje, pela manhã, comentava num outro post sobre como, deliberadamente, buscamos aquilo que nos oprime e nos acorrenta; presente, passado, futuro. .. Não importa onde. Lendo este artigo percebo que nada mais é do que…. medo. Como se não bastasse ter que carrega-lo, precisamos nos certificar que ele realmente está lá. Assim estabelecemos as tais gangorras emocionais só para ter-mos certeza de que ele não nos abandonou. Viver sem medo nos da um sensação de solidão devido ao espaço deixado por ele e como ainda não sabemos realmente o que é paz, confundimos tudo. Pensa terminar um dia sem a expectativa do amanhã… pensa rever o dia e aceita-lo como ele foi… pensa descansar o corpo com a alma repleta de gratidão… mas não, ou cutucamos alguma feridinha como um melequinha do nariz ou lembramos com ternura de algo do passado que quase nos arruinou…. como somos magnânimos. Quando achamos que nos superamos, lá está ele, grudadinho como uma croaca, com as unhazinhas bem agarradas em nossos corações, zombando da gente e dos nossos esforços. Eita mecanismozinho que colocaram na gente… Não tem nada mais poderoso para travar, estancar, arruinar com a gente do que este desaforado que se chama Medo!

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