Ser ou não ser, eis a questão!

Texto: Iara Bichara | Ilustração: Gisele Caldas
 
Gisele Caldas Conflito 3

Ilustração Gisele Caldas

Querem maior conflito do que esse? Que o diga Shakespeare! A vasta obra do grande dramaturgo jamais teria a notoriedade que alcançou, não fosse pelo brilhantismo com que o autor trabalhou cada teia que envolve um conflito.

Pois bem, é inevitável separar essa palavra do antagonismo que ela sugere.

Ao ouvi-la, nossa imaginação nos leva imediatamente para locais ou zonas onde imperam a desordem, a intolerância, as altercações, os choques, as lutas.

Mas também podemos enveredar pelos caminhos da quimera e derramar rios de lágrimas por embates que só existem no nosso imaginário.

E o que fazer com as disputas que se escondem por detrás de grandes interesses ou de pequenas discórdias?

Sim, estamos sempre em meio a um grande combate, ora com os entraves externos, ora com os nossos próprios monstros.

Por excesso ou por falta, por exagero ou por escassez, motivo é o que não falta para que se estabeleça um conflito, em qualquer área que alcance o nosso conhecimento ou a nossa imaginação.

O nosso próprio corpo físico nos mostra que temos, dentro do nosso organismo, verdadeiros exércitos de células, prontos para entrar em guerra, face ao ataque de uma única bactéria ou vírus.

Partindo-se do princípio de que o mecanismo mais perfeito, elaborado e sincronizado que conhecemos se encontra no instrumento corpóreo que carregamos nesta dimensão, e se ele admite o conflito como algo de que necessitamos para o nosso próprio resguardo, podemos concluir que os conflitos são também necessários, porém na medida em que sejam utilizados no domínio da salvaguarda, da preservação, do bem estar e, especialmente, de acordo com a Lei do Amor, seguindo o curso da menor resistência. (“Colocar o bem estar, a ocupação e os sentimentos para com os outros, acima do eu. Negar a existência do mal no mundo e não resistir. O amor segue o curso da menor resistência.”).

Recorrendo, mais uma vez, ao exemplo do nosso organismo físico, verificamos que, quando as células de defesa resistem em atacar os elementos invasores, estes se proliferam e multiplicam-se desregradamente, acabando por levar à falência todo um sistema tão complexo e sofisticado.

A sabedoria está em tratar os conflitos como situações passageiras, uma vez que tudo está em constante modificação e encará-los como alavancas para o crescimento e para o desenvolvimento, assim como Shakespeare, em sua genialidade dosou igualmente os conflitos entre a tragédia e a comédia.

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Comments

  1. marcelle sampaio

    Nossa Iara, esse foi demais! Adorei a associação com Shakespeare e as tragédias e comédias da vida, conectando ainda com nosso corpo físico e seus exércitos de defesa! E aí quase chegamos ao assunto “quando nossos dramas nos adoecem” ! Que tal uma continuidade? hihihi… Beijos querida!!!

  2. zeneide

    A sabedoria está em tratar os conflitos como situações passageiras..perfeito essa colocação….olhando assim compreendemos que tudo passa e as lições se bem observadas sempre ficam..

    1. Iara Bichara

      Zê, querida! Olhar os conflitos como nuvens que se chocam e depois se desfazem é sempre a melhor maneira. Beijos, sábia amiga!

  3. Osvaldo Grecco

    Parabéns Iara, Ser ou não ser….. quando existe ordem interior, existe sintonia com o COSMOS, e existindo sintonia com o Cosmos não existe conflito exterior. Não existindo o conflito exterior, passa a existir a UNIDADE. A Unidade, portanto, começa a existir a partir do interior de cada um; a partir das mudanças dos antigos conceitos separatistas da vida; no assumir de uma nova realidade interna muito mais abrangente e plena em sua essência….. eis a questão!

  4. Valeria

    Genial, Iara! Muito grata! Vi, no seu texto, minha dificuldade de aceitar e não resistir para sair de conflitos que vem me causando dores físicas. Vou aprendendo devagarinho…. Grata!!!

    1. Iara Bichara

      Querida Valéria, nada como a consciência da mudança! Tenho certeza que o seu corpo físico agradecerá. Beijos!