A sabedoria do relacionamento a dois

Relacionamento a dois

Ilustração: Gisele Caldas

Por que festejamos tanto quando um casal completa suas bodas – não importa se de prata, de ouro, ou de diamante – cercado pelos seus descendentes e trazendo no rosto o riso feliz da harmonia e nos gestos a doçura do carinho?

Não é apenas pela festa, já que ao longo desse período de convívio, devem ter existido muitos motivos para comemorações.

Também não é pela façanha de terem alcançado tão elevada idade juntos, já que se pode chegar à velhice em boas condições físicas e psicológicas, não importando se acompanhados ou sós.

Comemoramos essa data porque não é fácil manter um relacionamento por muito tempo, sem desenvolver a sabedoria e a paciência que isto requer.

Nem sempre se consegue enxergar a responsabilidade contida em um relacionamento. Não se pensa no tamanho do compromisso que isto envolve, nem nos fatores que influenciarão toda uma existência. Na maioria das vezes, a imaturidade, a juventude e a pressa, turvam e distorcem as imagens o que proporciona a impressão de um grande sonho, uma quimera alcançável.

No início, encantados pelo desejo de ficarem juntos é comum tratarem com superficialidade assuntos importantes e decisivos para a saúde do relacionamento. Porém, assim que encantamento passa e a rotina toma seu lugar, todas aquelas informações que não foram compartilhadas adequadamente e não passaram por uma revisão conjunta para serem reelaboradas, poderão causar estranhamentos e até desavenças.

Duas criaturas que se juntam em uma determinada época de suas vidas e decidem trocar suas emoções, seus carinhos, seus desejos, seus sonhos, suas decisões, devem estar cientes de que precisarão de uma boa dose de paciência para ajustarem os seus tempos, suas ansiedades e, especialmente, sua bagagem de vida.

Nascidos em lares diferentes e de culturas diversas, a possibilidade de discordâncias apresenta-se quase que como uma condição que, se não for bem trabalhada e compreendida irá minar a convivência da dupla.

Ao abrir cada um a sua “mala”, carregada com todas as impressões e as informações dos seus antepassados, devem lembrar-se que elas apenas poderão lhes fornecer referências, uma vez que pertencem a outras épocas e a outras pessoas.

E é aí que entra a sabedoria: em descobrir que esse novo núcleo criado terá um aporte múltiplo em informações, mas que será estabelecido sobre parâmetros renovados, sobre bases comuns que sustentem e fortaleçam o casal.

O ajuste entre o querer de cada parceiro deve prevalecer sobre a vontade individual; assim como a admiração e o respeito devem ser recíprocos.

A beleza em descobrir no par a possibilidade da prática constante da renovação é uma dádiva que estreita os laços já existentes e permite a convivência harmoniosa.

Festejamos e multiplicamos as alegrias quando vemos criaturas que ultrapassam os limites de suas próprias diferenças e se disponibilizam a superar as discordâncias familiares, sociais, culturais, raciais e outras tantas que possam surgir ao longo de suas convivências, fazendo desse conhecimento a alavanca que impulsiona o relacionamento!

Seja Luz!

Nota do Editor: que tal relacionar os parágrafos deste texto às Leis do Codex, para fins de estudo?

4 Comments
  1. Muito lindo, Iara querida. <3

  2. Reply
    Claudia Sampaio 02/12/2014 at 2:44 PM

    Quanta ternura e sabedoria… Gratidão, Queridas: Iara e Gisele!!

  3. Muito lindo… uma lição de sabedoria e compreensão, bom para todos os momentos!! gratidão!

  4. Reply
    Maria Helena F. Santos 03/10/2018 at 2:08 PM

    Muito lindo Iara!! Sabedoria!! Gratidão

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