Precisamos saber pelo que o coração bate

Texto: Ale Barello | Ilustração: Gisele Caldas | Música: Itamar Assumpção
 
Ilustração: Gisele Caldas®

Ilustração: Gisele Caldas®

Me coloco de ponta-cabeça para tentar compreender; continua difícil.

Joaquim Barbosa, Ministro do Supremo Tribunal Federal, antecipa sua aposentadoria.

Tenha ele problemas físicos, falta de vontade de prosseguir, ou um projeto a longo prazo fora do escopo de nossa bola de cristal, a decisão é de foro íntimo, ou seja: não depende do que queremos, ou achamos que seja melhor para a nação — se é que já estamos em condições de saber o que é melhor para qualquer coisa!

Na sequência, uma sensação pública de perda: e agora, o que será de nós? Onde está o novo guardião da justiça?

Meu questionamento é objetivo e revela um ponto-cego no espelho da vida em sociedade relacionado à postura das pessoas, nem só conhecidas, importantes, ou famosas.

Estamos tão distantes dos valores verdadeiros que quando alguém resolve ser íntegro, é preciso aplaudir?

Esqueça o Ministro Joaquim, pense no Papa Francisco. Talvez há muito tempo não tenhamos notícia de um Papa que decidiu cumprir a tabelinha de assuntos papais autênticos, de acordo com o o que o Mestre deles pregava, promovendo a união, quebrando paradigmas, distribuindo palavras de paz.

Nem política, nem religião te interessam, certo? Lá vai outra chance de entender o ponto…

A mídia diz que este ano a Campanha do Agasalho 2014 bateu recordes de doação e nem começou direito, estamos nas primeiras semanas e ela segue até agosto. Ótimo. Mas, de alguma forma, poderia ser diferente?

O que me causa estranhamento é o fato de estarmos pasmos porque as pessoas são boas, justas, honestas ou solidárias! Eu, por exemplo, me peguei outro dia admirando a inteligência de um inventor adolescente e no segundo seguinte, tive que dar risada e relembrar que ele apenas está usando o que lhe é de direito. Claro que é lindo de se ver. Lógico que vou aplaudir. Mas não posso ESTRANHAR!

“O ser nasce bom e a sociedade o corrompe.”

Rousseau que vá descascar baunilhas!

O ser nasce bom e se esquece disso, oras!

Nossa herança de Luz é o bloco fundamental da constituição de cada individualização, e se estamos admirando o óbvio — o bom, o belo, o justo —, isso só pode representar duas coisas: ou estamos cegos, ou poucos de nós estão verdadeiramente sendo o que deveriam ser!

E se a segunda opção for sensata (acho que a primeira é mais comum, todavia), também há um “pulo do gato”…

Quem sabe a que veio, tem como baliza o coração: ele funciona como um farol e indica o caminho correto. Se algo não está alinhado, o caminho não é aquele. Volte, reveja, deixe que as batidas movam suas pernas e te levem para o seu local neste agora.

Nem sempre sei porque meu coração bate feliz… mas se ele sabe, está tudo certo!

Seja Luz! 🙂

Coração Absurdo

O meu coração é um absurdo
Bate forte bate fraco
Bate surdo mudo
Bate por nada bate em vão
Bate por tudo
Bate pouco bate muito
Bate por ti sobre tudo

Comments

  1. Claudia Sampaio

    Adorei a tarefa que vc sugeriu ao Rousseau… rsrsrs E concordo. Acho que esta percepção corrigida nasce da compaixão. O ser apenas se esqueceu. Tem uns (e me incluo nesta categoria) cuja amnésia é mais severa é verdade. Depois de tantos exemplos que não faltam – geralmente são os arautos de cada filosofia religiosa ou existencial, realmente é de se espantar que a bondade e a integridade ainda nos causem esta comoção, porque nos parecem muito RARAS, mesmo tendo decorrido tantos séculos. Gratidão por seu TUMTUM, alinho o meu ao seu TUMTUM, feliz!

  2. zeneide

    “O ser nasce bom e se esquece disso, oras!”… Então basta que nós relembremos essa qualidade, e apliquemos em nossos caminhos… Mudando as rotas sempre que necessário!! gratidão!!

  3. zeneide

    Gisele….meu coração sabe sim porque bate tão feliz!!….Por tão lindas representações de amor e dedicação… parabéns querida!!! gratidão

  4. Uiara Andriewiski

    MEU CORAÇÃO NESSE AGORA, BATE POR MIM, POR VOCÊ, PELO BRASIL, INSERIDO NO MUNDO!!!
    MUITO VÁLIDO ESSE TEXTO. ESTOU QUASE AGRADECENDO A APOSENTADORIA DO EX MINISTRO. AFINAL GANHAMOS SUA REFLEXÃO.

  5. Claudia Sampaio

    Esta mãozinha… Quanto simboliza e se sincroniza com o artigo. As expressões que usam mãos… Mão da justiça, dar uma mãozinha, “não saber a mão esquerda o que dá a mão direita”, mão de cura, mão inventora, a decisão está nas suas mãos, mão na roda, mão que lava a outra, lavar as mãos, levante suas mãos para o céu, etc, uma infinidade delas – que temos feito do potencial de nossas mãos, o quanto ela vivencia esta dissonância entre o que desejamos de coração e o que atendemos por conveniência, comodismo, omissão… Gratidão, Gisele, não poderia ser mais perfeita. Parabéns por seu Dom de Luz. Beijos, Querida, com as mãozinhas unidas… <3

  6. Claudia Dantas Fonseca

    Fui brindada com uma semana repleta de INformações e re-questionamentos. A vida lá fora anda meio “ tumultuada ” com ares nada organizado. Observo uma grande quantidade de pessoas “alvoroçadas” pelo que anda acontecendo ao redor – lá; no lá fora – no que a mídia geral informa – escuto, vejo, assisto e tudo me leva a crer que os próximos prognósticos são de arrepiar. E que alguns desejam “ avacalhar “ com a moral, integridade, ética e tantos outros valores * que nos norteiam para uma boa convivência em sociedade.
    Rosseau em parte estava certo.. a partir do momento que ele deixou-SE, ser influenciado pelo “ externo “ deixou de escutar sua Fonte – o Coração !
    Outros dirão que estes valores* estão fora de moda e são démodé . Olho, e observo, mas dentro de mim… ainda ressoa uma parcela que insiste em julgar.. .
    Como posso utilizar meu juízo de valor, sem julgar? Só há uma maneira: entrando em sintonia com o meu coração. Lá , e Eu devo afirmar , “ Aqui ” dentro de mim , de cada um de nós, há o seu melhor indicador.
    ( * estes valores nos são relembrados pelo Codex )

  7. Osvaldo Grecco

    Vamos continuar mantendo o foco no agora, o marca passo do meu coração esta e m sintonia com o marca passo do seu coração e quando estamos juntos TUMTUMTUMTUMTUM In Lak’ÉchTun > (Eu sou o outro TUMTUM.)