Obrigado, grato, gratidão

Sabe, tem dias que eu me assusto com o tanto de desconhecimento que demonstramos em nossa atividade principal do cotidiano: a comunicação.

Expressões como: NAMASTE, IN LAK’ ECH, OPCHÁT, ALOHA e outras tantas que abrem ou fecham mensagens (dia desses, notei que um perfil começa suas postagens com “YO YO!” e me perguntei: Que raio quer dizer isso? 😮 ) fazem sentido para quem as usa, mas não para que as lê. Mais: começam a ter a utilidade de uma chave para determinadas portas, como os adolescentes fazem ao usar expressões pontuais num determinado grupo e por isso, sentem-se parte dele.

Este artigo está longe de querer explicar o que as expressões acima representam, porque todas as citadas – fora o Yo Yo! -, sem exceção, são profundas e merecem que alguém lhes dedique volumes e tomos de sabedoria. Abordarei aqui, o “basiquinho”, o comum e corrente, aquilo que todos os dias usamos, de uma forma ou de outra. Mas não se engane: não precisa estar em outro idioma, ou num livro de hermetismo medieval, para que uma expressão seja cheia de significados e transmita muito mais do que o que é falado, ou escrito!

O princípio básico e imutável da comunicação tem três aspectos:

Emissor <—> Mensagem <—> Receptor

Caso um desses pilares não esteja presente, não há comunicação e todas as vezes que apenas o emissor conhece o significado do que transmite, a comunicação fica prejudicada.

Por outro lado, com tanta rapidez quanto incorporamos informações – por vezes, sem nem sabermos o que significam – desprezamos outras, importantes.

Vejam o que aconteceu com a palavra “OBRIGADO“.

A origem dela é MA RA VI LHO SA! Mas nós insistimos que ela, a palavra, seja uma vilã de primeira linha!

“Obrigação” é algo tenebroso; não somos obrigados a nada!

Não é bem assim, pelo menos, não cosmicamente falando… Vamos ver o motivo?

O sentido de obrigado como fórmula de agradecimento é literal. O particípio do verbo obrigar (do latim obligare, “ligar por todos os lados, ligar moralmente”) expressa o reconhecimento de uma dívida entre quem recebe um favor ou gentileza e quem o faz – ambos, dessa forma, ligados, atados, presos por um laço moral. A frase completa seria “fico-lhe obrigado”, ou seja, “passo, a partir deste momento, a ser seu devedor”.

Sergio Rodrigues, do site TodoProsa

Veja como responder a um ato com “obrigado”  é completamente diferente de fazer o mesmo usando “grato”:

Grato vem do latim “gratia”, que significa literalmente graça, de graça, gratuito ou gratus, que se traduz como agradável. Significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é reconhecido. É uma emoção, que envolve um sentimento e portanto, não há obrigações, ligações ou amarrações.

Note- se que  “gratia“, qualidade de “gratus“, e que deu o nosso “graça”, era não só a gratidão de quem recebe um favor, mas a afirmação de que não se tem nenhuma obrigação de devolver, aquilo se faz por mera generosidade, isto é, “de graça” ougrátis“.

No primeiro caso, está explícito que estabeleceu-se uma ligação entre os indivíduos e essa energia será devolvida (pelo menos, afirmou-se que seria assim), mas não há reconhecimento, em termos de emoção. No segundo, há um reconhecimento de aquilo foi bom, porém, sem laços de retribuição.

O Codex – faça o download aqui – amplia o entendimento, o que parece resolver a questão e junta o obrigado com o grato, na palavra gratidão:

Lei da Gratidão

Devolver a energia recebida.

Aprofundando mais um pouquinho, preste atenção na frase:

(…) ENERGIA RECEBIDA.

Não se fala aqui da energia EMITIDA e sim, da energia RECEBIDA. E quanta diferença isso faz! Não importa que quem emitiu achou que fosse muito, ou pouco. A avaliação é feita por quem recebeu a energia.

Gratidão, por sua vez, é um substantivo e por isso, representa literalmente algo com substância, matéria, existência no mundo físico. Precisa ser realizado neste tempo e nesta dimensão para que haja posterior equilíbrio.

A Lei da Gratidão tem relação estreita com a Lei da Justiça:

Lei da Justiça

Equilibrar, no sentido de aliviar, retirar ou sobrecarregar toda e qualquer situação, com mais ou menos energia, para que as partes, os seres envolvidos, as existências, fiquem em harmonia.

Noção de autoria do livre-arbítrio. Os seres se responsabilizam na medida em que entendem que realizaram toda e qualquer ação, por escolha própria.

O último trecho da Lei da Justiça complementa o sentido de “(…) energia recebida”, quando deixa claro que “(…) Os seres se responsabilizam na medida em que entendem que realizaram toda e qualquer ação, por escolha própria.”, o que, neste caso, implica em receber o quanto queria e entender a energia recebida como quiser (muito mais do que foi fornecido, ou muito menos do que foi fornecido), porque quem a emitiu o fez por conta e risco próprio.

Vamos ver como isso funciona:

  • Se estiver com fome, um pão, para mim, pode ser algo de extrema valia. Terá a mesma importância para o dono da padaria? Recebi mais do que me foi dado.
  • Se pedi R$ 5,00 ao meu irmão e ele tirou o dinheiro da passagem do ônibus e foi a pé para me emprestar, posso entender como “só R$ 5,00”, enquanto que para ele, representou esforço e energia ao caminhar. Recebi menos do que foi dado.

Por fim, o Codex apresenta a Lei da Graça, que aí sim, implica em gratuidade, sem necessidade de retribuição:

Lei da Graça

Expansão da Lei da Misericórdia. A Lei da Graça diz que é possível conceder perdão e libertar o outro, quando isso não foi feito a você, sempre em relação a uma situação e não a um indivíduo. Qualquer um também pode recorrer a esta Lei para se libertar.

Como a Lei da Misericórdia foi citada, vamos a ela:

Lei da Misericórdia

Conferir o perdão a si e aos outros seres, na medida em que esses seres tenham entre si algum envolvimento, relacionado a alguma situação específica.

O ponto em comum entre a Lei da Graça e a Lei da Misericórdia é a palavra perdão, que por si só já é algo gratuito:

Latim perdonare, de per, “total, completo”, mais donare, “dar, entregar, doar”.

Assim, a Lei da Graça reitera que o uso da Lei da Misericórdia é gratuito, exatamente como o perdão, que é totalmente gratuito. É uma redundância necessária para o nosso pouco entendimento de que é obrigatório e agradável, perdoar. Na quinta dimensão o livre-arbítrio acabará, mesmo que você não goste da ideia. Não poderemos mais escolher entre amar, compreender, reconhecer, agregar, ou não. Teremos que fazer isso. Simples assim.

Talvez o obrigado tenha sido a palavra-chave dos Ciclos anteriores. Explicava que cada ação exercida, recebida ou entregue, gerava um elo de ligação, uma obrigação entre as partes.

Ao longo das eras, o grato mostrou-se como a apreciação dos atos exercidos, emitidos e recebidos, mas contemplava o livre-arbítrio, sem promessas de retribuição.

Ambos, porém, estão sujeitos ao Karma, que é principalmente a parte da energia EMITIDA. É quem emite que está sujeito à consequência, o que explica também, que nenhuma individualização é responsável pelo Karma; ele vem da junção de incontáveis peças do quebra-cabeça cósmico e não de algo ou alguém em específico, nem de Deus. O Karma é a energia “passeando” que retorna ao emissor, em forma de consequência.

De qualquer modo, tanto faz se você responde com “obrigado” ou com “gratidão”, o “de nada” é o que o próprio nome diz NADA! No mundo material é preciso que a energia retorne. E ela o fará… Seja por compromisso (a parte que cabe ao receptor), ou por Karma (a parte que cabe ao emissor).

Neste Ciclo, é a gratidão que impera e com isso, os mil aspectos ligados a ela, sobretudo, a consciência. Para estar em dia com a premissa de devolver a energia emitida é preciso olhar para o cálice fornecido e contar quantos goles foram tomados: Eu mais o Outro.

Não se pode falar de gratidão em relação a outros, de fora da situação. O NÓS me inclui, obrigatoriamente. Se comento que X não teve gratidão por Y, estou falando de ELE mais ELE, o que é igual a ELES e não a NÓS e por esse motivo, nunca saberei quanto líquido havia no copo nem quantos goles foram realmente tomados e nem se enquanto o outro bebia, o líquido ia aumentando, cada vez mais…

Gratidão é coisa para NÓS, a primeira pessoa do plural que só pode existir quando o EU e o ELE estão fundidos.

Seja Luz!

Curiosidades de outros idiomas:

Arigatô: Ao contrário da crença popular de alguns, “arigato” (有難う) não tem origem na expressão portuguesa obrigado. Na realidade, “arigato” é a forma moderna do “arigatashi” do japonês arcaico que consiste da aglutinação de “Ari” do verbo “Aru” (ser, estar, existir) e “Katashi” um adjetivo que significa dificuldade. A expressão tem origem na forma como os budistas louvavam duas divindades, e agradeciam pelos ensinamentos budistas. Literalmente, a expressão quer dizer “Há dificuldade”, algo como “Tenho dificuldade em expressar minha gratidão frente ao seu ato”

Merci: Do francês médio merci, mercy e este do francês antigo merci e este do latim mercēdem, acusativo singular de mercēs (salário, preço, pagamento). Mesmo sentido de nosso obrigado.

Danke: Da forma verbal de danken na primeira pessoa do singular, no presente; Ich danke (“Eu agradeço”).

Thank: Vem do Inglês arcaico THANCIAN, “agradecer”, do Germânico THANKOZ, “pensamento, agradecimento”

Gracias, Grazie: Espanhol e italiano com o sentido de agradável.

Xie Xie: A diminuição do agradecimento em chinês (mandarim) só é compreensível observando-se o ideograma, em quatro partes (fei chang xie xie) que significam, respectivamente, não comumreverênciacurvadocurvado

xie xie

 

PS: E ainda me perguntam porque eu cursei Letras quando “não precisava”… Se a Luz se fez Verbo, no mínimo deve servir para entender “a vida o Universo e tudo mais”, oras! E continuo tentando… 😀
8 Comments
  1. Gostei! Sempre aprendendo!

  2. Reply
    Zeneide Batista 05/08/2016 at 2:31 PM

    Muito bom, adorei suas explicações. Ainda bem que você cursou Letras! bjk

  3. Palavra: a eterna magia que encanta, mas que contem o poder transformador! Amei o artigo.

  4. Lindo artigo. Informações interessantes. Dizer mais o quê? Gratidão.

  5. Sensacional… Gratidão! A pa que lavra!

  6. Gratidão… Adorei o artigo

  7. É um prazer ler seus ARTIGOS, são expansão pura de conhecimento e informação, uma boa reflexão não só para cada palavra mas para os sentimentos.
    Bj sbjs

  8. Amei o artigo!! Sempre aprendendo… gratidão!!!

Leave a reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Unaversidade