O tempo e o espaço são um quem

As únicas coisas que possuímos ao chegar ao plano da terceira dimensão são o tempo e o espaço.

E isso é o que somos. O tempo sou eu. O espaço sou eu.

O espaço é o nosso próprio corpo que começa a existir manifestado e a esbarrar em todas as outras existências manifestadas. Por isso, espaço é individual e compartilha o coletivo.

O tempo é cada uma das experiências que o espaço executa. Assim, tempo também é individual e se adequa ao tempo coletivo.

Percebemos melhor o espaço do que o tempo. Por causa dele é que podemos sentir, agir e reagir e é ele o executor do tempo.

Quando não somos espaço, somos consciência, quando não somos tempo, somos memória.

Parece difícil entender o tempo devido a sua imaterialidade, mesmo que ele seja experiência. Contudo, a medida do tempo não é o relógio, é a linguagem e nela estão contidos todos os idiomas: a linguagem corporal, a linguagem emocional, a linguagem verbal, a linguagem energética e a linguagem essencial.

Uma experiência, então, é constatada através da linguagem, não importando se ela foi estendida ao espaço coletivo ou se ficou estática no espaço interno, fora, ou dentro de nós.

Imaginemos que se o tempo é linguagem, sua unidade mínima é a sílaba, não o segundo. A palavra é o minuto; a frase é o dia e o parágrafo é o ano.

Esqueça o relógio e passe a usar esta analogia. O calendário se chama Agora. Ele é a plataforma registradora do tempo.

A cada agora, sílabas-experência transformam-se em palavras-experência, em frases-experiência e em textos-experiência.

Quando você sente, pensa, cria ou recebe e processa informação, finalmente expressa a linguagem, de uma forma ou de outra. É impossível não fazê-lo. O registro disso vai para o corpo-espaço e quem sabe, para o espaço coletivo, onde todos os outros corpos habitam.

Mas um parágrafo não precisa durar um ano! Percebe como a relação numérica relativa ao tempo não faz o menor sentido?

As unidades de tempo palavra, frase e parágrafo são a somatória de experiências de um ciclo, maior ou menor.

Uma hora pode ter mais ou menos do que 60 minutos. Um dia pode ter mais ou menos do que 24 horas. Um ano pode ter mais ou menos do que 365 dias e isso, podemos entender facilmente. Aquela viagem dos seus sonhos é amanhã, mas parece que as 15 horas que o separam do embarque são intermináveis! E se estivermos num papo maravilhoso com a pessoa dos nossos sonhos, duas horas representam cinco minutos; passam “voando”.

Números não exprimem experiências, por isso nosso estranhamento e nossa falta de habilidade em lidar com o tempo. Um dia-frase termina quando uma ideia mínima se completa e isso pode durar muito mais ou muito menos do que 24 horas e o mesmo vale para o ano-parágrafo, um conjunto de frases-dia que se completa com um desfecho.

Este é o momento de começar a prestar atenção à linguagem emitida partindo da unidade mínima, a sílaba. O murmúrio interno e externo, a percepção de sons sem significado irá transformar-se na palavra-hora e definirá a frase-dia. Caso não haja uma informação – emitida ou recebida – adequada, será exatamente isso que formará seu parágrafo-ano.

Porém, imagine-se formando, agora por agora, um texto.

O que você chama de vida, a grande experiência, é o texto composto pelas sílabas, palavras, frases e parágrafos, tanto dos que partiram e se formaram dentro de você, quanto daqueles que você acolheu dos outros corpos-espaços.

Peço que reflita sobre essa informação e faça o teste de usá-la. Perceba em seu espaço o mecanismo de formação do tempo plasmando-se em experiência, expresso pela linguagem.

Em que palavra está agora? Quais sílabas juntou para formar a palavra que dá o tom ao seu agora? O “mimimi interno”, a tristeza, a alegria, a criatividade são suas sílabas. A raiva também.

Consegue perceber a frase que está formando? Tem noção que, com sentido, ou sem, ela se incorporará ao parágrafo e fará a diferença no texto final?

Digo que não é fácil livrar-se do ancestral mecanismo de mentira sobre o tempo, forjado para que passemos mecanicamente pela experiência vida, mas é possível e será mais proveitoso quando você mudar sua estrutura cerebral e perceber que quem determina o que acontece com você é você, mais nada.

Seja Luz!

Comments

  1. Zeneide Batista

    Adorei esse texto, e os questionamentos… Vamos refletir um pouco, quem sabe possamos nos reescrever!!
    “Em que palavra está agora? Quais sílabas juntou para formar a palavra que dá o tom ao seu agora? O “mimimi interno”, a tristeza, a alegria, a criatividade são suas sílabas. A raiva também….Consegue perceber a frase que está formando? Tem noção que, com sentido, ou sem, ela se incorporará ao parágrafo e fará a diferença no texto final?” Gratidão!!

  2. Mirtes Pegorer

    Hum..Difícil mesmo começar a se livrar de tantas mentiras arraigadas no nosso tempo/espaço por toda uma vida(ou muitas..).Mas isso vem me contar que vem mais por ai,não é?Mais mentiras caindo por terra(a velha..)trazendo a necessidade de adaptação a novas situações.Grata!

  3. Iara Bichara

    Lindo texto. Essa conexão do tempo/ palavra me fez pensar em quanto desperdício existe nas lamentações, na conversa fiada, nos mimimis, nas fofocas e nas apologias a todas as ideologias. Lembrei-me também dos velhos ditados: “Em boca fechada não entra mosquito” e “Menos conversa e mais ação”. Parabéns!

  4. Joao Luiz Faria

    Expandindo um pouco sobre a interação espaço/tempo ser humano, gostaria de colocar uma ideia sobre como podemos posicionar aspectos linguagem em nossa existência.

    Primeiro localizar dentro de cada mente consciente três pilares bases: memória, emoção e razão. O primeiro, memória, é onde podemos localizar o espaço/tempo passado, não numericamente mas como uma direção temporal. O segundo, a emoção, remete ao espaço/tempo presente, significando a ação, o ser atuante, o aqui e agora, o instantâneo, o inexistente, pois a ação será e já foi. E por fim, o pilar razão, que materializa a emoção no seu espaço/tempo como futuro, presente e passado, nesta ordem. Portanto, a razão é o DNA, a frase, parágrafo e texto de nossa existência. Ela determina e localiza o padrão emoção, determinando a ação e escrevendo o passado.

    Um bom questionamento a se fazer é o seguinte: imagine uma passagem em que você teve participação efetiva como agente, pode ser uma conversa com outras pessoas, uma palestra proferida, uma viagem, qualquer evento marcante que ocorreu com você. Agora pergunte onde está este momento? Ele é real ou apenas uma ilusão? Se ele não pode mais ser acessado, sobrevive apenas como memória, como podemos considera-lo real? A coordenada presente não tem existência. É apenas uma ilusão a que chamamos de emoção. A consciência é apenas um padrão energético manifestando-se em um indivíduo como uma experiência daquilo que chamamos vida.