O ser em estado Integral

cacosDesengano – Lula Cortes e Tito Lívio

Toda vez que olho o desengano

Nas frases do canto fosco dessa juventude

Vejo meu sorriso magro,
Meu corpo suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E sério suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martírios,

Todos os delírios loucos que vivenciamos

E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar

Voar pra sair de perto,

De todo deserto desses abandonos,

E constatando o desengano se despedaçar.

Desfeito em pedaços,

Sigo no encalço desse sonho

Vejo meu sorriso magro,

Coração amargo se atrapalhar

Quando franzo a testa,

E sério suo o rosto cor de madrugada

Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.

À medida em que vamos tratando e consertando nossas rachaduras, o estado ideal se apresenta e a ele é dado o nome de integridade.

(Penso aqui, se, quem sabe não aconteça o contrário… A partir do uso contínuo da integridade, fechamos as rachaduras e reconstruimos nossas camadas.)

Para verificarmos meticulosamente se uma coisa é distinta da outra, temos que entender o conceito, à luz da quinta dimensão:

Integridade é

Honestidade consigo mesmo

Inteireza com o Todo

Unidade com a Fonte

Eis a Trindade, sob um novo prisma, ancorada na terceira dimensão, com a luminosidade de multiversos.

O filósofo chinês Confúcio (551 a.C.-479 a.C.) fez a diferença entre três níveis de honestidade. Num nível mais superficial  — denominado Li —, incluiu as ações que uma pessoa realiza com o objetivo de cumprir os seus próprios desejos, tanto a curto como a longo prazo, embora nunca escondendo a sua sinceridade.

Um nível mais profundo é o Yi, onde o agente não procura satisfazer o seu próprio interesse, mas antes o princípio moral da justiça, com base na reciprocidade.

Por fim, o nível mais profundo da honestidade é o Ren, para o qual é necessário autocompreensão prévia para entender os outros. Este nível implica que um indivíduo deve tratar aqueles que se encontram num nível inferior da escala social da mesma forma que gostaria que os superiores o tratassem.

E se conseguirmos colocar as reflexões de Confúcio dentro do pacote “consigo mesmo” – honestidade consigo mesmo —, ampliando para o coletivo, veremos que a primeira condição é uma plataforma para a premissa seguinte, a inteireza com o Todo.

O dicionário define inteireza como “característica ou condição do que é inteiro.
 Condição do que não sofreu alteração; em perfeito funcionamento” e apresenta um sinônimo valioso para a compreensão: plenitude. Toda vez que funcionamos perfeitamente de acordo com o Todo, estamos inteiros.

Parece claro que seguindo apenas o primeiro e o segundo passos podemos chegar ao terceiro, a base do triângulo luminoso: a Unidade com a Fonte.

Não, não é óbvio e nem se chega a isso seguindo a primeira e a segunda condições. Só está nela aquele que não se entende separado da Fonte, que não vê nem um Deus no Céu, nem se coloca no papel Dele, na Terra. Nem uma coisa, nem outra, mas uma terceira via de existência que permite que estejamos lá e cá, ao mesmo tempo, que sejamos o mesmo, simultaneamente, e não “ou, e, dois, nós, eles, eu, ele”. Isso tem que ser entendido, sentido, experimentado e internalizado como o galho que não se pergunta se ainda é árvore, ou a asa que não questiona se é pássaro.

E toda vez que não soubermos se estamos no caminho triplo da integridade, podemos nos perguntar: algum pensamento (MEU), sentimento (MEU) ou ação (MINHA), numa questão específica (MINHA questão específica, ou entramos no terreno do julgamento), colabora para a divisão?

Decididos a nos corrigir, tratando das rachaduras; focados no sentido de integridade e na trindade que ela representa, alcançamos o poder, tal qual nos foi dado como substância constituinte de nossa essência.

Poder, além da terceira dimensão e para todas as outras é simplesmente o melhor de si em qualquer situação.

Neste tempo e neste espaço, ficamos com a herança da valorização da conquista pessoal. É possível perceber que o conceito de sucesso, nesse caso, é uma pálida amostra da definição cósmica de poder.

E voltamos ao mesmo ponto em que precisávamos entender o que significava Unidade com a Fonte…

Assim na Terra como no Céu

A Terra, o nosso agora, é o nível ideal da individualização e o Céu é o nível ideal da essência.

O poder tem e deve ser exercido na “Terra”, nesta dimensão e nesta existência, da mesmíssima forma que fazemos isso no “Céu”, na Fonte, como essência.

SIMULTANEAMENTE…

Não saímos nem de um lugar, nem de outro. É apenas a lente côncava do tempo/espaço que faz com que imaginemos que para estar num local, precisamos deixar outro! Que bobagem!

Telefone agora para alguém que mora do outro lado do planeta e constate que apesar de lá ser noite (ou dia), enquanto segura seu telefone a noite ( ou dia) não chegou para você; você está aqui e lá. SIMULTANEAMENTE e nem precisa sair desta dimensão para entender isso. Vá até sua sala da primeira série do primário. Veja a lousa. Você teve que entrar na máquina do tempo, abandonar um corpo e existir apenas lá, deixando de ser, aqui? “mas é minha mente, não meu corpo que faz isso…” E o que somos? Se nossa ação também é nosso corpo… nossa ação nos representa… somos isso e mais o outro, ao mesmo tempo!

Neste agora, pense na integridade e sinta-se em casa: estamos chegando ao último conceito importante do artigo: polaridade, que nada tem a ver com dualidade.

O que separa é a dualidade, divide um em dois. A polaridade apenas confirma que lá e cá, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, não são divisões e sim lados de UM MESMO, DO MESMO aspecto.

Será que isso é para você? Ter poder? Ser simultâneo? Ser íntegro?

Senhoras e Senhores: apresentamos você à sua individualização – você é UM. Você é UM e nada mais existe.

Um.

No artigo de amanhã: A convocação para a Tomada do Poder

Comments

  1. Fatima Pedro

    Uau… Alê, esta série de artigos foi além das minhas expectativas. Complementou tudo que foi dito no encontro, trazendo-me clareza e a certeza de que tudo depende de nós mesmos. Eu já sabia disso, claro…. mas, a conexão comigo mesma se aprofundou…. aguardo o próximo artigo ansiosa… Bjo seu coração com imensa gratidão! <3

  2. Uiara Andriewiski

    Simples assim…agora sei porque disse que eu havia entendido além do texto escrito. Eu estava lá e cá. Polaridade agora entendida totalmente…Obrigada pela Luz.

  3. janice valeria pedro

    Tive recentemente uma grande prova…nao pude ser outra coisa que nao fosse INTEGRA, HONESTA, VERDADEIRA. Houve dor, reconheço, mas quando utilizamos um orgao pela primeira vez, ele doi…o mais interessante eh que nao houve sequer outra escolha. Fiz o que tinha que ser feito e nao me arrependo…me sinto infinitamente mais forte. Grata, jamais esquecerei a liçao.

  4. zeneide

    Está lindo de viver esses artigos.. vão se complementando e nos ajudando a correção das nossas fissuras e rachaduras internas….Li essa frase do Dalai Lama “Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior.Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores.
    Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto.
    Perfeito gratidão!!

  5. Valéria de Carvalho Pereira

    Amei! Imensamente grata! Muito útil reforçar o entendimento de polaridade e dualidade. Muita generosidade permitir que eu entenda que estar pleno, inteiro com a fonte precede curar todas as rachaduras que advém de comportamentos meus que colaboram para divisões. Grata! Bjo no coração!

  6. marcelle sampaio

    Mais uma peça de um quebra-cabeça generoso e amoroso que vem sendo nos dado peça por peça. Gratidão e amor imensos!

  7. Isabor

    E toda vez que não soubermos se estamos no caminho triplo da integridade, podemos nos perguntar: algum pensamento (MEU), sentimento (MEU) ou ação (MINHA), numa questão específica (MINHA questão específica, ou entramos no terreno do julgamento), colabora para a divisão?
    Bora trabalhar. Só agora cheguei a esta série de textos, ou ela me chegou.