O deserto que atravessei

desertoMais uma vez, suava frio (de medo) sob o sol do deserto. A aridez estendia-se até o horizonte.

Este era o cenário padrão de alguns sonhos muito ruins da minha infância. Por mais que fossem apenas pesadelos, cresci com alguma gastura, uma aversão instintiva às imagens belíssimas de lugares assim, até mesmo quando se tratavam apenas de filmes.

Outro dia, por acaso, li uma reportagem bem interessante sobre como a poeira do Saara fertiliza a Amazônia.  E um trecho dela dizia:

“Todo o ecossistema amazônico depende da poeira do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes perdidos”, afirma o coordenador do estudo, Hongbin Yu. Ele confirma o que muitos, mesmo sem bases científicas, repetem há tempos: “Este é um mundo pequeno e estamos todos conectados.” – Fonte: CicloVivo.

Incrível, não? De alguma maneira esta informação (que é o mesmo que energia, segundo o Codex) –  alterou significativamente o que sentia a respeito dos desertos. Inclusive, sobre os desertos que existem dentro de cada um de nós.

Desertos que escolhemos desdenhar, ignorar, negar ou atravessar.  Onde estamos sempre em busca de algo, nem sempre dentro dele, às vezes, após percorrê-lo. Difícil imaginar alguém que se aventure por um deserto sem que tenha um motivo muito forte. É preciso muita coragem.

Num ambiente tão vasto e hostil, importa tanto o que encontramos no final quanto na travessia em si. Os dias tórridos, as noites gélidas. As miragens e a realidade dolorida, os devaneios caprichosos e comodismos nostálgicos, a necessidade que nos obrigar a caminhar mesmo exaustos. Contemplar a vegetação e os animais que parecem quase alienígenas para se adequarem ao muito que são exigidos. A alegria de poder descansar um pouco num Oasis, mas a certeza apreensiva de que é preciso deixá-lo para prosseguir e muitas vezes, jejuar, querendo ou não.

Tudo tão extremo e assim nos defrontamos com coisas inesperadas a respeito de nós mesmos, tanto na fragilidade, quanto na força.

Pela Lei da Unidade, somos um e o mesmo, e qualquer luta travada é sempre contra si mesmo, então, deixemos de negar, resistir ou fugir dos nossos próprios desertos e também dos desertos que encontramos nos ‘outros’.

Afinal, é esta poeira mágica que atravessa nossas experiências e fertiliza as terras dons mais exuberantes de cada um de nós. Abençoe os desertos que encontrar pela vida, encare-os com coragem, consciência, respeito e, sobretudo amor e gratidão.

Seja Luz!

Estudo Codex Abril

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3 Comments
  1. Claudia, para mim o deserto sempre exerceu um grande fascínio, não só pela minha origem familiar, mas pela amplidão, mistério e magia que ele apresenta. Seu artigo me despertou o sentimento de que o deserto é o mar de areia no qual mergulhamos na na nossa própria aridez para sairmos revigorados pelo oásis do conhecimento das possibilidades. Gratidão.

  2. Muito bom essa reflexão, que possamos passar por nossos desertos com coragem, enfrentamento e amor.

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