No ventre cristalino da Terra

ventre cristalino da terraFaz algum tempo que privilegiamos o uso de dois sentidos à exaustão: visão e audição.

Nossos olhos são bombardeados por milhares de informações. Percebemos o transcorrer do tempo através da luz, e eles não têm descanso há algumas décadas. Parece-nos impossível conseguirmos ficar no escuro, o mínimo que seja.

Nossos ouvidos são igualmente explorados. Além da poluição sonora dos grandes centros, dos fones de ouvido, da qualidade e quantidade questionáveis do que se diz e se ouve. Escutar a própria respiração ou os sons não artificiais do ambiente tem sido um desafio.

Quando enveredamos conscientemente por alguma prática espiritual comichões e ondas de ansiedade e frustração nos percorrem o corpo quando somos orientados a fazer silêncio e ao mesmo tempo fechar nossos olhos.

O uso indiscriminado destes dois canais parece gerar uma fuga, desconexão, um desequilíbrio que afeta em escala global a integração com o Planeta.

Ao passo que os outros sentidos, mais conectados com nossa inteligência instintiva e ancestral – vão pouco a pouco sendo menos utilizados. E quanto isto nos custa.  Vemos crianças que devido ao confinamento mal têm consciência corporal. Nem sabem brincar pra valer. Mães que amamentam, atentas em quase todas as vezes aos seus celulares ou laptops sem nem trocarem um olhar cúmplice e carinhoso.

É lamentável o desperdício destes canais de percepção, porque para que a gente disponha do corpo na terceira dimensão, um trabalho muito minucioso e esmerado foi elaborado por nossos corpos mais sutis ao se individualizarem a partir da Fonte.

A ascensão tão buscada e alardeada pelos meios espiritualistas é possível quando fortificamos e abençoamos nossas raízes aqui mesmo neste planeta, aplicando as Leis do Codex, e aí sim, alçarmos as alturas, com o coração.

A Terra nos acolheu e foi muito generosa ao permitir a vivência de experiências preciosas ao nosso desenvolvimento. Que saibamos pertencer e honrá-la. Como cristais, que irradiam sua vibração amorosa, ainda que estejam no escuro e aparentemente em silêncio. Não nos sintamos perdidos e afoitos, mas sim, integrados e pulsantes como as estrelas que luzem em seu ventre fértil. Seja Luz!

2 Comments
  1. Maravilha, irmã! Gratidão!!!

  2. Reply
    Isabel Borges dos Santos 16/09/2015 at 12:42 PM

    Verdade. Percebe-se um anseio por barulho, por algo para ver. O ficar em silêncio, inquieta quem está no entorno. Vem os questionamentos. Está bem? Está zangada? Está triste.
    Não se entende estar quieto e bem.

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