Dos desafios de entregar o melhor

Quando escrevemos algo, podemos recorrer à memória de experiências passadas, ao relato de fatos alheios a nossa própria vida e em última instância, à imaginação, discorrendo sobre algo que não existe. Mas hoje, é artigo “na carne”; parto para escrever com base no que estou vivendo nesse momento.

Organizar um encontro do Movimento Era de Cristal não é simples, nem nunca foi. Desde o início de trabalho, lá em 2012, quando sem recursos de nenhuma espécie recebíamos muitas pessoas no sítio de Embu das Artes, a mais preocupada era eu. Daí que preciso explicar: minha família tem o dom de receber bem e nunca me senti à altura dessas pessoas no quesito “organizar eventos”. Todas as festas que organizei foram um tormento pessoal. Você se perguntará “por quê?”. A resposta é simples: fico tão tensa para que tudo dê certo que a melhor coisa da festa acaba sendo o último abraço de despedida do último convidado a sair. Aí sim, sento relaxadamente, pego a bebida que sobrou e faço: “Ahhhhh…. acho que foi legal!”.

E não só de festas vive um ser humaninho, né? Ao longo da minha vida profissional perdi a conta de quantos eventos organizei, todos, sem exceção, com a mesma tensão e preocupação. Nunca me diverti em nenhum deles, enquanto ocorriam. Meu balanço de positivo ou negativo era feito DEPOIS do evento e aí vinha uma alegria genuína por saber que tudo dera certo e que os participantes levaram mais do que o brinde, na saída.

Desta vez, em relação a este encontro que será realizado no dia 12 de agosto, decidi que poderia agir diferente. Me “imbuí” – oh palavrinha, estranha! – de muita coragem para me desafiar a curtir o evento antes, durante e depois dele acontecer. É o que estou fazendo e de presente por ter finalmente virado o seletor de “tensão” para “diversão”, aprendo a cada instante algo útil, não apenas para os futuros eventos a organizar, como, principalmente, para as relações cotidianas, nas quais, no final das contas, a gente tem que “entregar” algo a alguém:

  1. Nunca se trata do “produto”, sempre do “comprador”: quando o foco é o que se está entregando, a gente se esquece de que o objetivo final é a satisfação de quem recebe. Assim, eu não estou voltada para o que vai acontecer no evento, naquilo que vamos oferecer e sim, na experiência dos participantes. Pensar em mil maneiras das pessoas se sentirem bem, confortáveis, amparadas, integradas é ANIMADOR!
  2. Não há como planejar detalhadamente o futuro: bom, isso pode parecer assustador, mesmo em se tratando de eventos! O fato é que precisamos deixar espaço para que o Universo preencha as demandas. Há uma ideia geral, um plano mestre, mas não uma série de detalhes listados que impossibilitariam a espontaneidade. Meu foco é um roteiro cujo diretor dá aos atores a oportunidade de improvisarem, sempre que quiserem. Isso é LIBERTADOR.
  3. Não precisamos partir do zero: essa foi uma chave que me veio à mente logo no desenho inicial do encontro. Vamos falar de algo que está completamente mastigado na internet, em sites, blogs e canais de vídeo e o único diferencial é a informação que vamos passar, que não está registrada em lugar nenhum. Por que mesmo, perderíamos tempo reexplicando o mais que explicado, se os participantes podem se munir de informações e na ocasião, compartilhar conhecimentos? Eu que brigo com o mundo quando falo que temos que deixar de reinventar a roda e partir para aprimorá-la, sempre caía no mesmo buraco, imaginando ingenuamente que era nossa a responsabilidade de informar. Não precisa ser assim! Para este evento, sugerimos que os participantes se informassem antes e vamos colocar a cereja no bolo durante as palestras. Pedagogia reversa, sabe? E na vida, vou começar a usar a mesma técnica. Vou pedir para que meu editor leia e se informe antes de discutirmos acordos; vou pedir para que o outro se intere da situação antes de começarmos uma eventual DR; vou eu mesma saber dos fatos antes de entrar na sala de espera com a lista de perguntas. Isso é DESAFIADOR.
  4. Se todos soubermos dos termos, não há como se frustrar: de repente eu descubro, no meio da festa, que os guardanapos acabaram. Posso sair para buscar mais; posso torcer para ninguém precisar de um; posso avisar que guardanapos acabaram! Mas e se eu avisasse que tinha poucos guardanapos antes deles acabarem? Tudo bem, também! Esse tópico está relacionado à clareza e aos “sim, é possível”, “não, não é possível”. Percebi que muito da minha tensão ao organizar eventos estava ligada à vontade de não frustrar as pessoas. Mas quando é que nos frustramos? Quando formamos uma imagem mental de algo, criando expectativas que não acontecem. Ao eliminar a expectativa, deixando claro o que é possível, o que não é, não há frustração! Por que não pensei nisso antes? UMPF! Isso é PACIFICADOR.

E assim, amigos, posso afirmar que até o momento estou ótima. Faltam 15 dias para o Encontro e só temos menos da metade dos ingressos disponíveis. Temos tido problemas de percurso no fechamento das compras no sistema da loja porque há várias pessoas têm dificuldades com compras online. Eu sou uma delas, então estou à vontade para falar sobre isso. São muitos botões, páginas que se abrem, coisas a preencher e afff! “Por que não posso pagar por boleto?”  Bem, não pode. Veja o tópico 4. Não vou ficar com vergonha, nem me sentir mal por isso. Escreva para a gente e damos um jeito. Já demos 27 jeitos, para ser exata. (Isso é divertido. Falar disso com vocês sem sentir a mandíbula trincar de tensão é divertido! Gratidão pela oportunidade indireta.)

Estou melhorando e saiba, este é o primeiro evento de minha vida que está me fazendo sorrir antes de começar. Acho que entendi que o caminho é o caminhar.

Seja Luz! 

PS: sem pressão, na boa, reserve seu lugar ou terá que ver por vídeo…

   

 

Comments

  1. Mirtes Pegorer

    E claro que meu coração já tinha decidido ir antes mesmo de entrar no espaço dele..rss
    Ah!As expectativas..Dificil e necessário controlar. Se nao.. decepção na certa..sei bem como é! Mas olha que legal!se você vai fazer eventos futuros é porque o mundo não acaba dia 23!!ebaaaa..kkk. grata!