A Correção necessária

cafeÉ o começo de um lindo dia.

Mesmo antes de sair da cama você está animado com as conquistas que virão. Sabe que este dia é importante e que ele pode mudar sua vida.

Você acorda, toma banho, se perfuma e retira de seu guarda-roupa a camisa mais bem passada que existe!

Você mesmo cuidou para que ela estivesse impecável para o encontro e então, sai de casa com ar de confiança para a reunião.

Enquanto espera na grande sala cheia de revistas e objetos de arte, uma moça mais do que simpática pergunta se você gostaria de tomar água, chá ou café.

Você escolhe o café e ele é trazido numa xícara polidamente branca e fumegante, numa bandeja pequena onde um açucareiro amarelo e diferente de tudo o que já viu, ocupa o espaço com elegância. A colherinha é tão delicada que nem parece de verdade. Você adoça seu café e sorri com um agradecimento genuíno pelo carinho e beleza que tem em sua frente. É lá que vai passar a maior parte de seus dias úteis caso se saia bem na entrevista.

O primeiro gole desce reconfortante. Você até gostaria de tomar tudo de uma vez, mas está tão quente! Por isso, resolve deixar a xícara por alguns instantes na mesinha ao lado e numa manobra de malabarista consegue salvar o líquido, mas não a colherinha. Ela cai sobre sua camisa imaculadamente limpa e provoca uma mancha oval na altura do segundo botão.

Você ouve uma voz e vê uma porta aberta à frente. É sua vez de entrar na sala e se apresentar. Você anda como um zumbi e estende a mão para o cumprimento. Porém, nada mais existe, apenas uma mancha de café em sua camisa e o mundo desmorona frente aos pensamentos de frustração.

A mancha desce pela sua camisa e atinge seu chakra tímico. O medo racha sua percepção de tempo e se espalha. Você é aquela mesma pessoa desastrada e desleixada da qual sua mãe reclamava quando pequeno. A mancha agora é grande e subindo pelo pescoço entra pelas suas narinas e atinge sua pineal. Sua visão está concentrada na camisa alheia. Ela não tem manchas. Esse sim, é um cara esperto. Sabe fazer as coisas. Não é a toa que é presidente de uma empresa daquele tamanho.

Quanto a você, nem gente é. Você é a mancha na sua camisa.

Tanto na malha energética do planeta — a placa de vidro de cada Ciclo — quanto na nossa própria estrutura energética, existem muitas rachaduras.

Rachaduras são provocadas pela dualidade e cada vez mais, noto que as palavras têm mesmo uma função importantíssima para nos explicarem o mundo.

Os antigos têm toda razão quando nos trazem o conceito de Diabo. Etimologicamente, Diabo  vem de dia-ballo, ou seja: dividir.

Cada uma das doenças que temos, sejam elas físicas, emocionais, ou energéticas trazem a noção de divisão. A divisão das células sem controle do câncer, a divisão das forças do organismo quando a imunidade baixa, a divisão da pele quando nos cortamos, a divisão dos ossos quando nos fraturamos. Estamos divididos entre viver ou morrer quando a depressão é severa; estamos totalmente divididos entre o desejo e a necessidade quando há um vício e continuamos divididos quando nos sentimos sem energia, porque não sabemos se devemos doar ou reter, economizar.

Religiosos abstraem o conceito de divisão tentando “tirar o diabo do corpo” do enfermo. Onde está o erro, segundo este ponto de vista linguístico? Não há erro! Está mais do que certo, mesmo que a redução do conceito tenha sido tão grande que “diabo” passe a representar um ser mítico com vida própria!

A divisão impede a saúde, a paz, a felicidade, mas pode ser tratada.

Entra aqui o conceito de alinhamento, no sentido de correção, que nada mais é do que voltar ao estado correto, inteiro.

A correção tem que estar presente em nossas vidas para unificar, preencher as rachaduras, como os ossos fazem ao se calcificarem, ou a pele faz ao se reconstruir, empilhando células e enchendo o buraco.

A correção é o retorno do molde perfeito; à forma original que sempre foi única.

Isso não quer dizer que seja simples… Têm fendas tão severas e antigas que várias camadas precisam ser colocadas e no final, ainda há uma marca, uma cicatriz. Isso não importa: não deixe que nenhum aspecto de sua vida esteja em divisão.

Sedimente as camadas e veja o fluxo refeito; é automático!

Nossa marca de existência como individualizações, no plano da Terceira dimensão é a capacidade de agir.

Somos vistos de outros planos como ação e assim, elas também são meu corpo, por mais difícil que seja de compreender.

Se ajo dividindo, já estou provocando rachaduras. Se ajo unificando, estou sedimentando as camadas, tanto do meu corpo, quanto do próprio planeta.

E agora, um aviso para aqueles que sempre têm a tendência ao macro (para não dizer à megalomania): comecem por si. Tratem de suas próprias fissuras, reconstruam-se, camada a camada, física, emocional e energeticamente e depois, se este não for o trabalho de toda uma vida, quem sabe, olhem para fora, para os outros e para o planeta, porque ao final desta série, teremos o vislumbre de que “dentro e fora” são exatamente a mesma coisa.

No próximo artigo: O ser em estado integral
21 Comments
  1. Maravilhosooo! Gratidão ALê, texto primoroso com sua maestria! Amor por você!

  2. Reply
    marcelle sampaio 23/04/2014 at 1:23 PM

    à pouco escrevi no Facebook do Movimento Era de Cristal sobre como o artigo anterior está presente e agindo em mim desde ontem, quando o li. Confesso que ao ler esse artigo, o segundo, fui ficando boquiaberta pois parecia que eu já o havia lido. Não sei explicar racionalmente, sei que nåo havia rachaduras aqui, nesse agora. Gratidão mais uma vez Ale, gratidão aos muito queridos Pleiadianos que vem nos dando às mãos, as pistas, nos recordando o acender de nossas luzes para trilharmos nosso novo caminho.

  3. Reply
    marcelle sampaio 23/04/2014 at 1:30 PM

    Aqui o comentário a que me referi acima: oba! Mesmo com o primeiro artigo ainda na cabeça, e a imagem da sobreposição dos ciclos como pilhas de vidros, e suas rachaduras associadas às fissuras de nossa essência com a Fonte, à separação do Todo, me acompanhando o dia, mesmo assim vou adorar entrar no novo artigo e unir mais peças para a minha integração total à nova plataforma. Fico com uma imagem das pilhas sob os pés, ou como lentes diante dos olhos onde ciclos anteriores sobrepostos criam imagens distorcidas de muitas realidades obsoletas, desgastadas, fraturadas. Por instantes me confundem como se o Agora fosse esse conjunto estilhaçado de realidades que já não são mais. Mas em seguida me volto para onde os pés tocam de fato, onde os olhos recebem os mais sutis e ao mesmo tempo nítidos influxos de energia, de informação. Minha retina pineal sabe e recebe e vem se adaptando com uma excitação e alegria sem par! O timo pulsa, emana e recebe amor e entusiasmo, liberando dia a dia tudo o que já não é mais. Gratidão.

    • Exatamente isso, Marcelle. Ficamos assim com os exemplos dentro da retina… É impressionante como essa palestra foi profunda. Queira a Fonte que consigamos registrar pelo menos um pouco das reflexões. 🙂

  4. Agradeço o carinho, Tereza linda, mas volta aqui no artigo 5… você estava lá e sabe que o assunto só complica, né? Vamos ver se damos conta! 😀 Bj bj

  5. Li o primeiro artigo ontem a noite, e hoje pela manhã li novamente e dei uma olhada nas minhas anotações, para poder fazer meus comentários… neste porém… já estava tudo mais claro…ainda mais quando faço as conexões com uns textos já postados no grupo do facebook…. Mas esse paragrafo é fundamental..”E agora, um aviso para aqueles que sempre têm a tendência ao macro (para não dizer à megalomania): comecem por si.” … O importante mesmo é agir em nós mesmos…

  6. Reply
    Uiara Andriewiski 23/04/2014 at 3:07 PM

    Como a comparação em camadas de vidro aos nossos pés é exatamente iguais a perguntas que já me fiz várias vezes, principalmente quando leio e estudo nosso presente que refletirá em nosso futuro…Como posso ter as atitudes hoje corretas se nem sei se saberei se suas reflexões futuras atingirão os ensinamentos certos?… Será que me fiz entender?…Só sei que ao ler e nos ver sobre placas de vidro, pude entender que as fissuras não são tão letais e sim que cada um de nós cuidando de si próprio antes de qualquer coisa, evitaremos fissuras nesses novos tempo…OBRIGADA…ERA DE CRISTAL.

    • Você entendeu mais do que o que foi escrito! Sim, vamos consertando à medida em podemos e detectamos, nada é letal, só a ignorância… essa nos faz andar por onde não podemos! E onde está muito frágil, tomamos cuidado para não provocar outra fissura, mais uma sobreposta. Isso aí! 🙂

    • Reply
      Uiara Andriewiski 23/04/2014 at 3:10 PM

      …é exatamente igual..
      Seria o certo, na concordância.

  7. Reply
    Uiara Andriewiski 23/04/2014 at 3:08 PM

    Gente…desculpe alguns erros no texto anterior.

  8. Reply
    Valéria de Carvalho Pereira 23/04/2014 at 3:15 PM

    Grata! Esse artigo trouxe muita lucidez para mim. Facilitou o que me faltou entender no artigo anterior. Estou, sinceramente, muito alerta para corrigir as minhas atitudes que possam me afastar da unidade. Estou num processo de quimioterapia de protocolo pq dizem que o tumor era maligno mas não há células cancerosas em mim. Estou expondo isso pq ainda não encaixei os ensinamentos que tenho recebido, outros que tenho buscado com o fenômeno em mim. Rachaduras… é… E não vou desperdiçar esse acontecimento sem fazer o melhor proveito dele. Perdoe a franqueza de hoje. Mas é que não quero mais conhecimento aprisionado pelo intelecto… Ele tem que pulsar. Bjs e… Ale…vc é 10! Grata a vc e a essa turma maravilhosa.

    • Sensacional você ter percebido isso! Rachaduras, que podem ser consertadas sim! rachaduras e divisões; “diabo”, a dúvida… o não saber se é para fazer o que falaram ou o que manda o coração.
      Você vai conseguir o que quiser! O que quiser! O que quer? Fique bem e Seja Luz!

  9. Reply
    marcelle sampaio 23/04/2014 at 3:49 PM

    A informação/energia tem seu intento, sua função. Confio muito que virá à todos com toda a profundidade que foi entregue na palestra. Mais uma vez, recebam minha gratidão. Grande abraço tímico!!!

  10. Maravilhoso!
    Já deu um arrepio ler ao primeiro texto, o da camisa.
    E o fato das minhas atitudes também serem meu corpo, explica muita coisa!
    Gratidão!!!

  11. tanta coisa que fica em mim pendente, ainda….
    quero sim ficar muito alerta para corrigir as minhas atitudes que possam me afastar da unidade mas me questiono muitas vezes: onde “mora” a unidade?…E exactamente é o quê ?….
    As vezes, a maior parte das vezes, confusa…
    aguardo a luz no meu caminho….
    grata por ler todos estes textos que me “obrigam” a despertar; disso nao tenho duvidas!

  12. Porque as rachaduras se recompoem e depois se abrem tao rapido, as mudanças constantes de trabalho, de espaco, de país ..não sei nem mais tirar férias , meu timo acelera a todo instante,minha energia cresce , e nos meus devaneios vejo a dualidade de estar aqui e estar lá…onde estou…as vezes tenho tudo..e nao tenho nada. Todo estes sentimentos conflitantes vem antes de cada viagem . Valei-me , este artigo maravilhoso vai me ajudar a me Alinhar para minha viagem , muita emoção rever filhas e país de adoção,so muito alinhamento mesmo, pois o cafe derramou foi todo e haja equilibrio ,vem mais por ai Ale Barello ? Gratidão .

  13. Que maravilha de texto! Se só temos o AGORA, para que nos preocuparmos com mancha de café na camisa? Temos que simplesmente fluir em cada AGORA, nunca prendendo-nos no anterior. É simples!
    Gratidão, querida Alê!

  14. Reply
    Maria Emilia Nunes Oliveira 25/04/2014 at 11:06 AM

    A cada mensagem, uma grata surpresa. Gostei muito ao artigo. Me lembra a Lei do Codex das semelhanças e diferenças. Estar no meio, em equilibrio. Grata por mais esta lembrança.

  15. Continuamos divididos quando nos sentimos sem energia, porque não sabemos se devemos doar ou reter, economizar. Chorei

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