Autonomia

Da série: “A primeira colheita: autonomia”

Por Alê Barello

Novo versus velho; aceito versus controverso; confortável versus desafiador.

A condução de um objetivo grande do tamanho de uma evolução, seja pessoal, ou coletiva, é algo inimaginavelmente complexo.

Nem é possível, saber ao certo, se o coletivo é maior do que o individual, ou vice-versa, uma vez que temos, cada um, o TODO dentro de nós e participamos de um fragmentado mosaico de TODOS, replicados.

A proposta de evolução nem é nova, nem exclusiva…

Em qualquer tempo da história de nosso planeta, houve alguém, grupos ou correntes inteiras de pensamento, com o mesmo propósito.

Nós, uma parte ínfima disso tudo, neste tempo e nesta dimensão, abraçamos a causa, a começar por nós mesmos e estendemos o convite a outros que já faziam isso, muitas vezes, isolados.

Começa aí a questão do artigo de hoje… autonomia.

Nunca se tratou de escolha, quanto ao nosso trabalho, especificamente. Todas as orientações que recebemos ao longo desse 12 anos indicavam que, se cada um dos envolvidos não começasse com uma atitude liberta, expandida e autônoma, colheria poucos resultados práticos.

No dia a dia, faz uma diferença incrível encontrarmo-nos com alguém dependente, ou com uma individualização autônoma! Não que esta seja “rebelde” e “indisciplinada”… autonomia nem passa perto disso!

Seres autônomos mostram, constantemente, uma atitude proativa, focada na solução; têm uma visão periférica ampla e abrangente e sempre que se deparam com obstáculos, põe-se a criar estratégias de solução, funcionais, exatas, claras. Autonomia, assim, nem é rebeldia, nem descumprimento de regras, mas sabedoria para usa-las a favor de si mesmos e de um grupo.

O fato de estimularmos as atitudes autônomas está na base do Movimento Era de Cristal.

Privilegiamos as práticas que levem ao aperfeiçoamento das condutas, pensamentos, ideias e sentimentos, sem muletas.

Não motivamos ninguém a seguir qualquer outro, nem mesmo a acreditar em nada do que falamos se não fizer sentido para o coração, órgão máximo do pensamento, no nosso ponto de vista.

“Pensar com o coração e sentir com o cérebro”. É do coração que vem os insghts poderosos e as orientações verdadeiras, mas é com o auxílio do cérebro que colocamos isso à prova, usando aí os sentidos. Quem ainda acha que coração “sente”, não entendeu nada!!! Quem sente são os órgãos do sentir, comandados pelo cérebro. Quem pensa, no terreno da identidade, do corpo de Luz mais próximo da Fonte, é o coração.

A todo momento, nos dedicamos a fornecer bases de autonomia e vemos os resultados no pequeno quadradinho da convivência virtual, ou no grande espaço dos encontros pessoais.

Quantas pessoas mudaram seus murais, seus discursos e suas atitudes!

É tanto, que parece irreal, fictício, improvável.

Percebemos que a chave está em fornecer a fagulha. De resto, o outro pega se quiser, quando puder e faz dela o que bem entender. Fazemos isso com estímulo diário: a mesma conversa, transformada em mil outras palavras, mas no fundo, sempre a mesma: LUZ!

Se estamos agora, tratando de organizar o conhecimento para que fique cada vez mais acessível e não dependa da nossa participação, isso passa pela autonomia que cremos e notamos que já desenvolveram.

E então, sempre me perguntam: “Mas você não tem medo do que podem fazer com isso? Copiam tudo e distorcem! Pérolas aos porcos!”

Bah! Não concordo com nada desse discurso velho, empoeirado e escravagista.

O Codex nos diz que “Liberdade é a criação de espaços de expansão.”

O Movimento faz isso…

Nosso manifesto é claro e cristalino: chega de esconder a informação; nunca mais precisaremos de escolas iniciáticas; todos devem ter acesso aos processos de evolução; acabemos de vez com os gurus!

Tem a turminha do “Se fala isso, nem seus textos precisamos ler, né?”

Rio muito, mas de felicidade genuína, quando me deparo com esse pensamento circualr!

Mas é claro que nem de nós precisam! Isso é óbvio; somos um “jornalzinho” de informações, uma central agregadora de individualizações que querem chegar lá e que sabem, ou deveriam obrigatoriamente saber, que tal coisa só pode ser feita de forma autônoma!

Refletindo sobre este ano de atividades, penso mesmo que a principal tarefa dos Trabalhadores de Luz — e nos incluímos nisso, com orgulho e brilho no olhar — é iluminar O CAMINHO DO OUTRO.

Por isso, optamos por nada reter, por não servirmos de atendentes individuais, de guias, de consultores, de mentores, de xamãs, de pajés, de gurus, de orientadores, de coachings, de professores, de instrutores, de curadores, de pastores, de escolhidos(!), de mestres…

Nem queremos ser isso, nem desejamos que alguém se preste a tal papel mofado.

O Novo Ciclo tem um potencial ainda não explorado; quando a Kundalini da Terra foi ativada, trouxe de volta o aporte energético a cada individualização do planeta e a Fonte espera que tomemos posse de nossas habilidades, poderes, dons e possibilidades.

Temos a tal “caixa de ferramentas”, com nome, endereço, email e CEP, basta abri-la e explora-la.

As pistas continuarão por aí, em cada passo dos nossos caminhos. Sempre haverá alguém, em algum tempo e lugar, pronto a compartilhar a descoberta!

Imagino quanto tempo da 3D ainda vai demorar para que a ficha caia, porque a falta de autonomia e o vício da dependência não se revelam apenas em termos abstratos.

É no email que pergunta “o que devo fazer da minha vida?”; é no post que compartilha um problema pessoal; é numa instrução clara como o dia, que, se não lida, gera uma dúvida platônica, que vemos os sintomas se alastrarem como uma mancha de café numa camisa branca.

Repetindo: as pistas estão aí… se por um lado, há que se ter cuidado ao expor as coisas de maneira clara, de outro, é necessário que se tenha vontade de achar o que se procura.

Contudo, tem coisas que nem desenhando a gente entende e nesses casos, é bom perguntar!

Do contrário, olhar com atenção, ligando os pontos e achando as soluções é mais útil e corta caminho.

A dependência é um tipo de roubo muito sério!

“— Roubo? Essa é uma acusação pesada, hein?”

Sim, é. Tão pesada quanto o tempo que tiramos do outro, quando deixamos a nossa tarefa para ele fazer com a gente, ou por nós; tão pesada quanto a energia que o outro usa para nos conduzir e carregar, tendo nós pernas (energéticas, físicas, emocionais) saudáveis; tão pesada quanto o espaço do qual nos apropriamos para responsabilizar os outros pelas nossas escolhas, querendo que ele decida por nós… Nos termos da terceira dimensão, tem até tipificação para isso: é furto, quando não é violento… é roubo quando constrange… Ei! Você nunca teve um momento de violação quando um dependente lhe arrancou tempo, energia ou espaço? Sabemos como é isso. Fazemos ao outro e sofremos, via outros!

Falar sobre isso me incomoda, como ouvir sobre isso, também me incomoda… Quanto eu mesma roubo, quanto sou roubada, no que tange aos comportamentos dependentes?

Eu, que tenho mania de reler livros, rever filmes, retomar conversas… Essas coisas ainda me servem? Para quê? o que estou fazendo?

Estou procurando pistas, ué! Me encanta o fato de ter que passar pelo ponto anterior, recolhendo o que deixei de perceber.

Somos os “sabe/temos/somos tudo” que pensam que nada sabem, têm ou são!

Tem um perigo na afirmação anterior: achando que sabemos/temos/somos tudo, nos acomodamos e paramos de entender. Porém, se nos dermos conta de que, como seres autônomos e recipientes do TODO, nada mais resta a fazer além de juntar as pistas, um caminho imensamente confortável se abre à nossa frente, propiciando toda sorte de informações que pareciam faltar.

E o roubo vira dádiva! Da dependência à autonomia, cria-se o grande espaço de expansão, para nós e para os outros, com intersecções que fomentam a partilha, a troca, a bênção, o congraçamento.

Nós, os mantenedores desse grupo e do Movimento Era de Cristal, desejamos que cada um seja o que é, revele o que não vimos ainda, entregue a parte que falta, complemente o quebra-cabeças do outro.

Nós desejamos que você seja eu e eu seja você. Que meu dia, triste até agora, tenha a perspectiva da felicidade que você sente, ou que minha risada do momento sirva para aplacar a sua raiva. É na troca, autônoma e ampla que como imãs, nos juntamos formando o TODO novamente.

O Paraíso na Terra da terceira dimensão é entendermos que, sendo únicos, somos o mesmo e para isso, faça o que melhor pode fazer:

SEJA LUZ!

* a série de artigos “A primeira Colheita” foi escrita em comemoração do primeiro ano de trabalho público do Movimento Era de Cristal. Originalmente os textos foram postados no grupo Era de Cristal do Facebook.

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