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Apenas uma noite – Conto de Natal , por Christian Malcon 2/3

Após a explosão Roberto se viu dentro da luminosidade.
Dentro da luz a felicidade era tão grande a ponto de ficar exultante, sentiu algo inexplicável.
Sentiu todas as suas células pulsarem, sentiu seu cérebro ampliando como se fosse imenso, começou a entender coisas que nunca havia entendido, sentia a eletricidade passando em seus neurônios e se viu conectado com tudo e com todos como se fosse uma coisa só. Sentia as moléculas vibrando em todo o quarto, nos móveis, nas paredes. Podia sentir as pessoas ao seu redor e também aquelas não tão perto assim. Sentia o mundo todo e o universo parecia complexo e ao mesmo tempo simples, expansivo, mas ao mesmo tempo pequeno fácil de compreender.
Tudo era uma coisa só como um emaranhado de fios conectados, percebia tudo agora, passado presente e futuro, estava tudo ali, todo conhecimento, todas as vidas, como uma equação muito simples de ser decifrada.
A luz foi se enfraquecendo aos poucos até sumir. Mas algo aconteceu dentro de Roberto, não era mais o mesmo, tudo mudou, uma eterna confiança, conhecimento e um amor fraterno de forma que nunca sentiu antes na vida.
Será que morri pensou Roberto. Minutos depois se sentiu muito saudável, suas dores sumiram, sentia uma energia enorme pulsando em suas veias.
Tirou as agulhas com medicamentos dos braços, foi até o armário pegou suas roupas, se trocou e saiu pela porta do quarto com o objetivo de ir para sua casa ficar com sua mulher e seus filhos.
Na saída do quarto viu as enfermeiras e outros quartos com as portas abertas as pessoas gritando – Estou curado, eu vi uma luz, eu vi. Uma euforia tomou conta do lugar.
Na cirurgia de emergência Lidia ficou embasbacada quando viu sua filha Claudia saindo pelas portas de vai e vem da sala de cirurgias como se nada tivesse acontecido. Quando viu sua mãe correu para abraçá-la e gritou chorando – Mãe, mãe eu vi uma luz intensa.
Eduardo levantou da poltrona. Duas horas depois Eduardo chegou na casa de seus filhos totalmente lúcido para  espanto de seus netos e nora, como se nunca houvesse tido Alzheimer.
Um carro parou na calçada que Rafael, Cristina e João estavam. Era seu irmão Rui, que o procurava  semanas para levá-los para sua casa,  arrependido por ter cortado relações com ele uns anos antes quando o expulsou de sua sociedade. – Me perdoe meu irmão, me perdoe, quero que seja meu sócio de novo, venha para minha casa com sua família. – Eu sabia que viria Rui. Eu te perdôo Rui.
No meio da ponte o celular de José tocou, era sua mulher Maria. – Pelo amor de Deus José, onde você está, estou desesperada atrás de você, há quatro horas ligaram daquela empresa que você queria trabalhar, o emprego é seu, começa na segunda que vem. – Não me pergunte como Maria, mas eu sei. Fui envolvido por uma luz intensa.
Após achar que era uma explosão atômica, ainda cético Osvaldo não acreditava em seus olhos e seus outros sentidos. Foi até o quarto, sua mulher Vilma estava melhor, sentada na beira da cama onde relatou que ele viu ima luz. Nesse momento seu filho Ronaldo, o filho problemático entrou no seu quarto e o abraçou chorando, lhe pedindo desculpas – Pai, agora eu sei o quanto fui errado com você, me perdoe, vamos ser amigos. – Não há porque pedir perdão meu filho, vamos ser mais que amigos. Alguma coisa havia mudado drasticamente na vida de Osvaldo, sentia um amor que saía dele, se expandia e envolvia a todos que estavam ao seu redor.
Perdão moço, eu te peço perdão, dizia Renato para Hugo, sei o quanto estou errado.
Atônito, Hugo disse – Tudo bem, tudo bem.

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