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Apenas uma noite – Conto de Natal , por Christian Malcon 1/3

Naquela noite, véspera de natal, do dia 24 para o dia 25 de dezembro o hospital estava abarrotado de pacientes de emergência.

Roberto de 40 anos estava no leito do seu quarto com dores fortes nas costas. Seu câncer nos pulmões avançava agressivamente, a dificuldade de respirar era constante inalando oxigênio constantemente. Os medicamentos para amenizar as dores não adiantavam mais quase nada. Naquele horário não era amais permitido visitas.

Na emergência Lídia esperava sua filha Cláudia de 19 anos na sala de espera da cirurgia, tinha sido atropelada em frente sua casa. O diagnóstico era péssimo. A médica disse que pouco podia fazer, mas ia tentar o possível.

Em outra ala, Eduardo, um senhor com 82 anos com Alzheimer adiantado estava prostrado numa poltrona de seu quarto. Sozinho em seus pensamentos como se estivesse vivenciando o passado, onde sua esposa Raquel ainda era viva.

Do outro lado da cidade, na calçada Rafael tentava dormir com um leve cobertor ao lado de sua mulher Cristina que abraçava o filhinho deles, João. O cheiro de peru assado vinha com o vento e o estomago vazio roncava. Se tivesse ao menos um emprego não estaria passando por isso com sua família. Desde que desfez por brigas a sociedade com seu irmão de uma empresa de brinquedos, aos poucos foi perdendo tudo, não pode mais pagar aluguel e ha um mês estava na rua com sua família.

Não muito longe dali no meio de uma ponte José encostado na beirada olhava para baixo querendo colocar um ponto final em tudo pelo seu eterno fracasso que era a vida.

Osvaldo de 60 anos, médico do hospital, saiu de sua visita aos pacientes e foi até o estacionamento pegar seu carro. Ali sua mente o atormentava, o que o esperaria quando chegasse em casa? Sua esposa doente, seu filho problemático que mesmo adulto vivia lhe dando trabalho. Só queria um pouco de paz.

Hugo chegava de carro em sua garagem voltando do trabalho para confraternizar a ceia com sua família quando do nada apareceu Renato em cima de uma moto empunhando um revolver pedindo a carteira de Hugo.

No hospital Roberto tirou a mascara de oxigênio, se arrastou da cama até a janela, abriu a persiana, olhou as estrelas, localizou a maior delas, e disse – Jesus, nesse seu aniversário te peço encarecidamente, me leve de uma vez por todas ou me cure, não agüento mais tanto sofrimento. Suas lágrimas caíam enquanto orava. – Eu te peço Jesus, não me deixe nesse estado.

Nesse momento, exatamente a Meia noite, quando se dava para ouvir barulho de fogos e pessoas se cumprimentando, essa estrela se mexeu, e como um estrela cadente cruzou o céu e explodiu num brilho azul intenso, o clarão foi tão forte que o céu por segundos ficou claro como o dia e o estrondo da explosão se pode ouvir por quilômetros. O clarão entrou pela janela de Roberto como uma explosão estilhaçando o vidro em várias partes.

Na sala de cirurgia de emergência onde estava sendo operada Cláudia, a luz se infiltrou como uma explosão movimentando do lugar todo o equipamento de cirurgia.

Todos os quartos, todos os leitos, todos os cantos do hospital foram inundados por essa explosão de luz, e o barulho tremia tudo.

No quarto de Eduardo a luz invadiu sua janela de tal forma que ele despertou de seu estado.

Rafael deitado na calçada pode ver a estrela passar sobre as casas e a explosão de luz foi tanta que seu ralo cobertor saiu esvoaçando, abraçou Cristina e seu filho João achando que o mundo estava acabando ou um avião havia caído.

José foi empurrado da beirada da ponte indo mais para o centro por causa da explosão de luz. Naquele momento mesmo querendo colocar fim a vida, sentiu muito medo com o barulho extremamente forte.

Osvaldo o médico que acabava de entrar em sua casa, se assustou com o barulho atordoante e a grande luminosidade que entrava pelas janelas. – É uma explosão atômica, gritou, – a terceira guerra mundial, eu sabia que isso ia acontecer algum dia.

Renato caiu da moto, sob o olhar espantado de Hugo. – Perdão meu Deus gritava Renato.

CONTINUA…

2 Comments
  1. Reply
    Marineide Souza Rocha 17/12/2018 at 6:49 PM

    Voce devia era escrever novelas Christian, amei as minucias e o suspense. Aguardando o proximo capitulo

  2. Nossa …que texto Cristian Malcon..
    Gratidão…
    Gosto de quero mais … Se o primeiro nos invade e sai em forma de Gratidão , imagino os outros 💕✨

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