Acabaram-se as fronteiras!

Calma, calma, não tirem conclusões precipitadas!

As fronteiras as quais me refiro não se restringem ao âmbito físico e geográfico, mas a todas as fronteiras que nem ao menos pareciam existir, por serem tão inéditas e intocáveis.

Quando falamos sobre fronteiras sempre nos vem à cabeça o limite que separa países, ideias, culturas, saberes e, por que não, sentimentos.

Porém, nós nos esquecemos de que os limites ultrapassam aquilo a que já estamos habituados e, justamente por essa razão é que hoje, com tanta força, surgiu esse tema em minhas considerações, a partir de um fato ocorrido ontem.

Refugiados 2016

Refugiados 2016

Durante o ano de 2013, em uma reunião do Movimento Era de Cristal, dentre muitas informações recebidas de mensageiros das Plêiades, uma nos chamou a atenção por falar especificamente das fronteiras. Nessa ocasião o foco era para que nos preparássemos para as mudanças que ocorreriam ligadas ao tema. Também ressaltavam o fato de que deixássemos os nossos espaços arrumados para receber com dignidade e propriedade o aporte de novos comportamentos e instruções.

Naquela oportunidade ainda não haviam tomado vulto as imigrações maciças de povos que deixaram para trás suas tragédias pessoais, advindas da guerra e das perseguições, para se lançarem a um mundo de exploração, miséria, violência e humilhação que os esperava no caminho do tão esperado paraíso que almejavam.

Vislumbrando inúmeras possibilidades, porém sem a profundidade e abrangência que o tema requeria, tomei a informação mais como que um prenúncio a que iríamos, enfim, quebrar a fronteira que nos separa de outras civilizações e povos de galáxias diferentes.

Mas, citando a frase de uma canção popular: “Qual o quê!”.  Como estava equivocada! Além de tudo, a cada dia constato uma fronteira que desaba.

Poderia passar horas escrevendo sobre o assunto, mas quero deixar aqui apenas o aperitivo que aguce em cada leitor a curiosidade e até mesmo a pesquisa sobre esse assunto. Tenho certeza de que cada um vislumbrará inúmeros exemplos, tanto no espaço coletivo quanto no individual.

Apenas para dar o pontapé inicial nesse jogo, que acho profundamente interessante, quem não se recorda das paralimpíadas 2016 e seus recordes em destruir limites e preconceitos? Isto também não significa uma fronteira?

Bem, o que me levou a estas considerações foi  o anúncio de Bob Dylan como agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura e que está causando tantas controvérsias e furor.

Em meio a tantas opiniões, que considero válidas por retratarem as visões individuais, onde o respeito é a chave para a conciliação e a harmonia, lembrei-me de uma palestra que assisti no final da década de 70, realizada na sede da Aliança Francesa de São Paulo, intitulada: “Ces chanteurs qui l’on dit poètes” (Esses cantores que chamamos de poetas). Apesar de não me recordar do nome do palestrante, o assunto nunca mais saiu da minha cabeça, especialmente porque aprecio a boa música, seja ela do gênero que for, e as letras bem elaboradas me remetem aos bardos, aos menestréis e aos trovadores que difundiram e popularizaram a poesia.

Através da história, podemos verificar que houve um período importante para a poesia impressa, porém o acesso aos livros sempre foi quase que exclusividade de uma minoria.

Com a diminuição da edição de livros exclusivos de poesia, os discos, as fitas, os Cds, assim como os demais meios que se seguiram, foram os responsáveis pela continuidade da poesia.

Como se vê esse tema não é recente, mas é atualíssimo, por novamente nos encontrarmos em um período de divulgação oral, mas com outros sentidos acrescentados, como bem cabe à compreensão da espiral de crescimento dos ciclos, ou seja: num mesmo ponto, porém em um nível superior.

Bob Dylan na premiação do Nobel de Literatura 2016

Bob Dylan na premiação do Nobel de Literatura 2016

Podemos questionar a decisão do comitê que confere o Prêmio Nobel, podemos também colocar em discussão a validade do indicado e até a frustração de autores que consagram toda sua vida e amor à literatura, mas não podemos deixar de ver mais uma fronteira sendo demolida, aquela que separa a presunção da constatação.

As nossas fronteiras, como citei no início – aquelas que estão encerradas nos conceitos que cultivamos sem mesmo saber o porquê – precisam ser abertas para que ampliemos o nosso campo de visão, em todos os sentidos. Só assim poderemos chegar a um terreno maior de responsabilidade, onde a Verdade e a Justiça possam conviver em harmonia.

Que os nossos olhos continuem sempre abertos ao diferente, que os nossos ouvidos estejam sempre atentos ao que surge inesperadamente e que o nosso coração esteja preparado, a fim de receber toda e qualquer novidade, com atenção, carinho e amor.

SEJA LUZ!

3 Comments
  1. Grata Iara, sempre inspiradora. Realmente que possamos continuar atentos ao que surge, lembrando o decreto do Novo Ciclo ” “Unificar as semelhanças e diminuir as diferenças entre si..”

  2. Reply
    Claudia Sampaio 18/10/2016 at 2:04 AM

    Que ótima reflexão, Iara Bichara! ❤ Achei muito interessante a referência ao Bob Dylan por conta de um de seus livros – “O homem deu nome a todos os bichos”, que foi ilustrado pelo artista e naturalista Jim Arnosky. O ilustrador disse: “a letra de ‘O homem deu nome a todos os bichos’ […] me inspirou a pintar, criando cada cena do PRIMITIVO mundo que Dylan evoca nos versos aparentemente simples de sua canção do ÉDEN” / “Com um apelo amplo a crianças e adultos espiritualizados, amantes das ciências, ou simplesmente interessados em bichos, este livro é um vencedor.” School Library Journal. *resenha.
    Na palestra do Era de Cristal, o Aporte Energético salientou a importância da revitalização da mobilidade para os seres humanos e a dissolução das fronteiras, e também a necessidade de integrarmos a comunicação com os ‘seres originais’ do planeta (vegetais, bichos, minerais, etc), criando ferramentas novas para isto. Pois estes seres sabem como viver aqui na Terra, em harmonia e sabedoria e temos muito a aprender com eles, aplicando o Decreto da Reconciliação. Gratidão, Querida! ❤

  3. Fronteira, termo que em sua minima ou maxima definição trouxe tristezas.

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