A Casa e o Lar na Transição Planetária

A casa é o lugar onde a gente mora, mas lar é o lugar onde a gente existe!

Essa diferença é bem perceptível quando falamos de design. Sabe aquele sofá branco na capa da revista de decoração? Isso é casa.

Sabe aquele chão cheio de brinquedo do seu filho, ou com os materiais que você usa para o seu hobbie, ou com a xícara do café em cima da mesinha lateral? Isso é lar.

A palavra “lar” vem do latim e fala sobre a época em que toda casa tinha, no centro, uma fogueira (lar-eira). Naquela época, Héstia era a deusa que protegia os lares e o fogo sempre tem um simbolismo espiritual e de transmutação.

Era em torno da lareira que as pessoas se reuniam e alimentavam tanto o físico quanto o emocional, através das conversas e das relações.

As pessoas da casa eram ouvidas, vistas, sentidas… Nesses espaços de “con-vivência” havia:

– Contato: lugares pensados estrategicamente para unir as pessoas, e não afastá-las

– Aconchego: é o conforto sensorial, o acolhimento

– Alegria: é a possibilidade de estar num oásis emocional pra não pirar, criando abertura para o riso, para a leveza

– Preenchimento: é poder recarregar as baterias do corpo, mente, coração e espírito

E hoje? Hoje os espaços são “sem-vivência”. As coisas e sua aparência são mais importantes do que a memória emocional. Hoje a lareira (o fogo tão sagrado), virou a TV… A alimentação é “fast”, enlatada, ensacada, mais “prática”, e as conversas se tornaram escassas. As pessoas se cercam de aparelhos onde a vida é vista por uma tela fria. Se iludem com faltas disfarçadas de metas, com rejeição disfarçada de preocupação, com medo disfarçado de responsabilidade…

O que fazer? Minha proposta é reproduzirmos esses espaços de “con-vivência” tão significativos e necessários – curadores até – em todos os lugares!

Slowliving, hygge, bens compartilhados, urbanismo e design podem nos ajudar nisso, porque todos nos ajudam a pensar de forma humana!

É possível trazer mais contato, aconchego, alegria e preenchimento sem seguir moldes externos, mas expressando e manifestando em nosso lar “externo”, a nossa ligação com o outro e o desejo de tratar a nós mesmos e ao outro com dignidade!

Nosso intuito para esse momento de transição planetária deve ser criar cada vez mais espaços de convivência, a começar pelo nosso lar, para diminuir as diferenças e aproximar nossas semelhanças.

Vamos?

Autor do Artigo
Joana Ludwig
Sobre o Autor
Joana Ludwig é aquário com ascendente em escorpião, mãe da Luiza, designer e arteterapeuta, que ama as ondas de cor, do som, do mar... Se não fosse artista, seria astrofísica.
11 Comments
  1. Nossa! Sempre bom relembrar a origem das coisas. Nao é à toa q meu slnho é uma casa con lareira oe/ou espaco para fogueira.
    Me faz pensar que há tempos não recebo amigos no meu lar… execelente impulso!
    😉
    Dani Franco

  2. Reply
    Maria Aparecida Basso 12/11/2018 at 1:09 PM

    Muito bem lembrado Joana,eu sou bem assim, a casa é onde moramos tem que ter movimento liberdade integração ,ak o coração da casa é na cozinha todo mundo adora tem sempre um cafezim com pão de queijo e um bolinho de milho verde,ai a prosa rola solta adoro receber .Parabéns Joana😍

  3. Reply
    Maria Aparecida Basso 12/11/2018 at 1:12 PM

    Muito bem lembrado Joana,eu sou bem assim, a casa é onde moramos tem que ter movimento liberdade integração ,ak o coração da casa é na cozinha todo mundo adora tem sempre um cafezim com pão de queijo e um bolinho de milho verde,ai a prosa rola solta adoro receber .Parabéns Joana😍 nosso lar tem aconchego não é de revista ,linda e fria!

  4. Reply
    Fernanda Sá Pereira 12/11/2018 at 2:34 PM

    Joana!!
    Seu artigo me fez voltar, há pelo menos 40 anos.Quando iniciei minha família,e lá, naquele tempo,eu tinha essa nítida percepção da diferença de casa,e lar.Tive muita sorte,minhas casas sempre tiveram lareira, porque também acredito no aconchego do fogo e na boa conversa.
    Precisamos urgente,desligar TV e celulares para acender o fogo e fazer uma boa comida.
    Ter determinação de parar,para ficar com nossos queridos, porque sempre temos o que fazer.
    Parabéns pelo resgate.
    Grata pela viagem no tempo.

  5. Gostei Joana…
    Meu lar tem lareira que era muito usada quando os filhos eram pequenos e dava para dormir os 4 frente á ela…Saudades dos olhinhos deles vendo o fogo crepitar….
    Sempre tive a casa Cheia…
    Mesa posta, conversas longas ao serão. ….
    Abraço de gratidão por me fazer relembrar todo esse aconchego

  6. Querida Joana, que delicioso artigo, cheio de carinho e de reflexões!
    Venho de uma família que sempre cultivou o lar como um ninho sagrado, cujas portas ficam abertas a todos que chegam. Comida repartida, longas conversas, aconchego e abraços apertados cultivam o fogo do amor dividido e multiplicado!
    Amamos você! Gratidão e beijos de luz!

Leave a reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Unaversidade